sábado, 13 de fevereiro de 2010

É só querer


Como eu fico feliz quando tomo conhecimento da evolução de uma pessoa, quando me narram sua história, com lutas, derrotas e vitórias, e vislumbro a síntese dessa mescla de ocorrências é um ser humano mais lindo que ontem e anteontem.

Uma pessoa que cresce, que busca por si, que se ajuda; que erra, lógico, mas que se perdoa e sabe seguir em frente, lúcida de suas falhas, qualidades, defeitos e sucessos.

Como me é grata a satisfação de constatar a riqueza humana em concreto, em cada contexto pessoal: dá-me certeza de que a natureza maléfica do ser humano é possível de ser impedida.

E como isso é bom.
E Hobbes e Nietszche que me perdoem.

Carnaval?! Não, obrigada.


Não adianta: antes de qualquer ação/omissão, surge na mente o questionamento principal: "para quê?" - o "para quê" é substituível, em dadas circunstâncias, pelo "por quê", com igual carga questionadora.

Nesse feriado, eu me pergunto: são aproximadamente quatro dias sem os compromissos habituais de trabalho e estudo e como vou aproveitá-los de forma que eu não os finde precisando de mais tempo para descansar ou fazer outras atividades? Em suma, como utilizar esses dias para que eu possa me sentir útil para mim mesma?

Com a venia da maioria, eu, (in)felizmente, não vejo nada de útil nas festividades carnavalescas.

Diversão? A que custo? Além de muitos indivíduos gastarem o que não têm, ainda são usados por outros, seja por interesse de falsa parceria, de sexo, de grotesca insanidade de carpe diem.

Relaxar?? Como? Muitos voltarão com o peso na consciência por ter gasto demais, por ter dado demais, por ter comido de menos, por ter bebido além da cota, por ter batido o automóvel, por ter brigado com o cônjuge, por ter deixado de lado a família, por abandonar estudos atrasados... por ter se deixado esquecido.

Qual é o proveito?

Eu até comentaria sobre os foliões, mas como cada qual sabe de si, observo a mim: eu não saberia me deixar nas mãos de um cara qualquer que já teria beijado umas 28347 garotas; eu não me deixaria ser mais uma; eu não entraria em neurose para que meu corpo ficasse como manda a estética desumana e capitalista; eu não conseguiria esquecer meu descanso e minhas finanças; eu não cuspiria nos meus princípios humanos de respeito aos demais e, primordialmente, a mim mesma.

Não sei, não me deixo, não entro, não consigo, não cuspo. Aliás, não me abandono às diversões impostas pela sociedade... isso é ser manada demais.

Cada escolha narra um pouco de cada personalidade.

Ao som de "Outras frequências - Engenheiros do Hawaii" (brow!)
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
o caminho mais curto, produto que
rende mais
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
um tiro certeiro, modelo que vende mais

mas nós dançamos no silêncio
choramos no carnaval
não vemos graça nas gracinhas da tv
morremos de rir no horário eleitoral

seria mais fácil fazer como todo mundo faz
sem sair do sofá, deixar a ferrari pra trás
seria mais fácil, como todo mundo faz
o milésimo gol sentado na mesa de um bar

mas nós vibramos em outra freqüência
sabemos que não é bem assim
se fosse fácil achar o caminho das pedras
tantas pedras no caminho não seria ruim

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Assumir-se

Malvados

Eu digo que a vida é engraçada e, por si só, vingativa.
Quantos efeitos sofremos de atos praticados sem o devido zelo, sem um pouco mais de atenção, sem pensar um pouco mais. Certo é que nunca podemos prever, com certeza, quais são as conseqüências de nossas atitudes; mas creio que somos capazes de antecipar os desdobramentos mais evidentes e, muitas vezes, os mais danosos para nós. Os que não prevemos, em caso de pensarmos o suficiente em um determinado ato são efeitos superficiais, sem muitos prejuízos.

Mas resta clara a sabedoria de uma frase: colhemos o que plantamos.

Assim, retifico a primeira frase que lancei e q substituo por "nós somos nossos próprios vilões". O bom é que somos engraçados, mesmo em momentos mais nefastos, pois lamuriamos por conseqüências que nós mesmos provocamos. Ironia.

E somos vingativos? Sim, somos. Mas, vejo agora, que somos vingativos inconscientemente contra nós mesmos, talvez pelo fracasso de não podermos nos dar uma resposta satisfatória sobre nossa utilidade nesse mundo. Desse modo, tendemos a findar com nossa vida sem finalidade de forma velada, escondida de nós mesmos, porque é incongruente demais querer viver e não entender a razão dessa vontade. Paradoxo.

Cada um, portanto, que escolha sua razão para viver enquanto não se afoga em sua própria incoerência, da qual não há como fugir, pois é a essência de nossa natureza.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Comentários em blog II

Manha?! Tem que saber como, por que e quando fazer!
De um comentário em DAUMALIDAA.

É receoso expor ideias quando se é minoria, porém, não é motivo para a ausência de opinião.

Pois bem.
Muitas mulheres utilizam o silêncio como uma forma de expressar um "quero atenção"... mas não todas.
No caso específico de um relacionamento a dois, quando o meu silêncio representa a inexistência da relação, visto que o emudecer que representa o famoso "bico" é ineficiente e imaturo.

Para qualquer entrevero, há conversas. Não quer conversar agora? Ok, outra hora nos falamos e, com licença: vou fazer outra coisa mais proveitosa do que ficar do lado de alguém que é incapaz de resolver um conflito racionalmente quando ele surge. Não quer conversar nem depois? Ah, então: adeus. Simples assim.

Mas é conversa; não é birra, nem bico, nem briga, nem manha, nem choradeira, nem acusações, nem ataques, nem defesas, nem guardas, nem nada disso. Conversa, diálogo - o que, notada e infelizmente, poucas pessoas sabem o que é.

No relacionamento com amigos, família, colegas... bico?! Não, não: meu silêncio reflete estudo, trabalho, praia, posts, escritos, e qualquer outra coisa que represente que, sim, estou ocupada mesmo. Quando eu puder, eu apareço, falo, rio, comunico-me e tantos outros mimimis.

Esse joguinho de disponível/indisponível é insustentável, não?

Será que penso equivocadamente, contudo, quando sugiro que a atenção não é pedida, mas sim dada? Se a pessoa não sabe valorizar, para que mendigar carinho, amor, preocupação? Vá cuidar de sua vida você mesma, mulher!!! Crie vergonha na cara e se aproxime de pessoas que a valorizem por quem você é e não pelo que você faz para outrem!

Quem a ama vai saber estar do seu lado e demonstrar amor sem a necessidade de você estender um chapeuzinho e implorar moedinhas ou migalhas de atenção - e sem precisar estender o bico - ame-se, oras!

Mas, igualmente, é preciso que você questione, primordialmente, se você não está exigindo demais dos outros. Você saberá disso quando souber respeitar a liberdade de quem estiver do seu lado.

Daí, mulher, entenderá que pode não ser desinteresse: é a outra pessoa agindo como ela quiser, mas sabendo honrar com o relacionamento que mantém com você.

Simples!


Não sei mais fazer o jogo do "eu vou embora se você não quiser". Quer ir? Fique à vontade: não prendo ninguém ao meu lado.

Não sei mais fazer o jogo do "se for assim, não quero mais". Vai ser assim mesmo. Não quer mais? Perfeito! Um problema a menos.

Não sei fazer o jogo do "não valendo sim". Aliás, sempre meus "nãos" valeram "nãos" e os "sins", "sins"... ora, acho isso óbvio!

Não sei jogar desse jeito (mais), desculpe(m)-me.

Devo ter me livrado de tanta crosta de insegurança e carência que o que restou foi um baita amor próprio...

Não demonstrou que quer ficar? Naturalmente eu não vou mais sentir falta.
Expôs que quer ir embora? Não vou correr atrás.
Agiu em sentido contrário à maré? Nade à vontade, mas eu vou seguir o meu norte.

Deixei há muito de ser resposta às psicologias de imaturidade. (Re)ajo diferente.

Mas... quer ficar? Bem-vindo(a)!
Quer se manter? Por favor, eu quero o mesmo :)
Quer caminhar junto? Ótimo: vamos a pé, de tênis ou de salto? De chinelão, que tal? :D

É tão simples a união das vontades: compartilhamento vincula; afastamento repele. Simples. Para que complicar?

:*

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Noite de poesia


Eu corro contra ele,
para ele,
fugindo dele.
Ao longe, já o vejo me analisando,
me desenhando,
me sorrindo.

Cumprimentos.

Ele não tem pressa; eu tenho e vou longe.

Mas há retorno.
Eu passo cansada, mais devagar
Ele, fixo, com o mesmo doce e suave olhar
Que diz, sem mistérios e que me desalinha:
"Garota, um dia você vai ser minha" (fim 1)

Que me diz, sem mistérios:
"Garota, um dia a gente vai se encontrar" (fim 2)

Que me instiga e me fascina e me fala
algo censurado, no meio do nada. (fim 3)

Que me faz voltar ao lugar
que me instiga a falar
Que me faz olhar
E expressar:
"Garoto, um dia... ". (fim 4)

Despedidas com jeito de pergunta
"Siga-me"... "fique"
"Venha"!

Comentários em blogs I


Brevíssima sobre o amor (tônica ao eros)
Início do texto no comentário em HEY!

Os que amam hoje uma pessoa e amam amanhã uma outra não amam verdadeiramente: apenas se apegam aos que mais que podem suprir-lhes a carência.

Sim. "Amam" aquele ser que lhe dá o que lhes falta... a partir do momento que não é mais novidade, que aparece um melhor ou que sofre uma despedida, tratam logo (e rápido!) de arranjar um outro que o complete - para que não se sinta sozinho... para que não se depare com sua própria mediocridade de não gostar de si mesmo.

Isso, para mim, não é amar: isso é depender, como os noias dependem de drogas, como os baladeiros dependem da night, como os cegos dependem de muletas.

Como necessitar ansiosamente de alguém (frise-se: qualquer alguém)? Precisar namorar, precisar ficar, precisar estar? Mas que treva de "precisar", de "necessitar", de "depender" é essa?

"Ah, não quero ficar sozinho/a...". "Tenho medo da solidão".
Não são nesses momentos em que você tem a oportunidade única de estar consigo mesmo/a, de se conhecer, de se divertir, de se amar?
Como você diz se amar se você nem ao menos se conhece, nem ao menos quer se conhecer? (Essa é uma pergunta direta a alguém que, infelizmente, declarou nem querer saber quem é).

Uma ser que não se conhece, não se ama!
Então, como dizer que ama os outros?

Não se conhece, não sabe o que é melhor para si, não se ama, se apega ao primeiro "vício" que lhe traga prazer, não sabe para onde vai, mina-se, destrói-se, mata-se.

Quem se conhece, ama-se;
Quem se ama, sabe os seus limites;
Quem sabe os seus limites, sabe o que é melhor para si;
Quem sabe o que é melhor para si, passa um final de semana inteiro na praia sem dar satisfação para ninguém - exceto para os que representam.