segunda-feira, 5 de abril de 2010

A surpresa do dia


Nada mudou, de fato.
Uma experiência sem mudanças efetivas proporciona algum proveito e é correspondente ao esforço compreendido? E, portanto, vale a pena?

Questionar-se-á isso quando sobrevier mais um tempo de respiro.

domingo, 4 de abril de 2010

Experience

As experiências cotidianas e descrições advindas do ato de observar me dizem o seguinte:
VIVA!!!


Por mais que eu sinta medo do agir, receie a entrega, aterrorize-me com o eventual erro, tema o mal entendido, a experiência de identidade e identicação com a outra pessoa sempre concluirá que, enquanto a experiência foi requerida por ambos, enquanto compartilharam do mesmo domínio da realidade, enquanto sentiram-se um e firmaram um consenso só com o olhar, o fenômeno do viver ali se produziu - em um uníssono, sim, mas um uníssono de dois, de aceitação mútua - um uníssono de liberdade.

Esse conflito é inevitável, o interno e a ação, o externo e a omissão, o caos e a atitude. Um processo dialógico que culmina em vida, absolutamente sem que seja boa ou má, mas que reflete o que somos.
E somos assim.

sábado, 3 de abril de 2010

Caos feminino II - A geladeira

Nenhum profeta é bem recebido em sua terra

Em casa:
- Poxa, mãe, a essa loja ainda não arrumou essa geladeira? Há dois anos 'tá essa palhaçada, porr*!
- Pois é, filha... a loja diz que agora a questão vai ser resolvida pela seguradora da garantia estendida...
- Mas, mãe: no primeiro mês, essa geladeira já deu problema! Durante esse tempo todo, foram mais de dez idas da geladeira à assistência e não foi resolvido. A garantia da loja e da fabricante se estende, mãe. Eu trabalho com isso, pombas, eu entendo! ... Quer que eu vá com a mãe lá na loja para resolver isso?
- 'Tá bom, filha... mas eles vão dizer que 'tá com a seguradora a resolução do problema...
- Mãe, me ouve: isso não importa. Há solidariedade aqui - todos respondem.

E lá vão à loja a mãe e ela, com o Vademecum debaixo do braço, parecendo uma crente dos tribunais:
- Boa tarde, Rosane... você já conhece o problema da geladeira que minha mãe comprou... vc seria a pessoa responsável com quem eu poderia conversar?
- Comigo ou com o gerente.
- Ok. Seguinte: nesses dois anos de idas e vindas, não foi resolvido o vício que a geladeira apresenta. Então, pela faculdade que o CDC... vc sabe o que é, né? É o Código de Defesa de Consumidor, que dá ao consumidor, no caso, minha mãe, a escolha entre o abatimento do peço, a devolução do dinheiro ou  troca do produto. Abatimento não dá porque já está pago o produto. Então, minha mãe quer a devolução do dinheiro ou uma geladeira nova.
- Ah, mas é política da empresa e da seguradora (blablablablablablabla...).
- Ok, Rosane, é política interna, administrativa de vocês, mas não é o que a lei diz. Venho aqui conversar porque é do interesse de vocês que a causa se resolva extrajudicialmente...
- Mas se você acionar, vai ter que acionar só a seguradora.
- Não, senhora! A loja vai ser processada também.
- Mas ... (... mais vários mimimis sobre políticas adminitrativas....).
- Mas isso, Rosane, é o que VOCÊS pensam! Não é o que a lei expressa nem o que os juízes consumeiristas pensam...
-... é melhor vocês irem falar com o gerente.

Com o gerente, ela explana a mesma situação sobre o CDC e mimimis e ele vem com a mesma história da política da empresa...
- Meu senhor, eu trabalho na área, eu sei que falo com propriedade do que estou falando.
- Você poderia baixar um pouco o tom de voz...
- Não, obrigada, estou bem falando assim. Então, como é de interesse dos dois, podemos entrar num acordo?
- A política da empresa é essa,então, com sua gradução (falando com certo desdém), procure o direito de vocês...
- Graduação, pós-graduação e mestrado...
- ... que bom, parabéns!
- Obrigada (e um baita sorrisão cínico). Então, vocês não vão querer resolver a situação administrativamente?
(Nesse momento, o gerente se vira para a mãe dela...)
- Minha senhora, o que exatamente aconteceu?
- Meu senhor, eu lhe fiz uma pergunta!
- Mas deixe sua mãe falar...
- ¬¬²

Pela enésima vez naquela loja, a mãe dela começa a contar a historinha com toda calma e riqueza de detalhes, desconsiderando todo furor legal e jurisprudencial da filha:
- Mãe, não precisa se incomodar falando tudo de novo, não vai adiantar nada. Eles não querem resolver essa situação...
E o gerente:
- Deixe ela falar...
Ela:
- ¬¬²³
E a mãe:
- Então, como eu ia falando, falei pros mocinhos lá da assistência, tadinhos, vão sempre lá em casa e eu ofereço café, porque deve cansar carregar tanto peso e... (... blablabla...)

Sangue fervendo, coração explodindo, pálpelbras do olho direito tremendo, canino superior direito aparecendo, ela profere:
- Obrigada, senhor. Mãe, espero no carro.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Aceita o flow?

Sinto o sangue então ferver, com a voz do proceder
Não esperava a união, mesmo assim vou te dizer:
O teu tom me vem à mente, a batida faz a frente
O teu som não me incomoda: faz meu coração bater

Se bater de frente, sinto as pernas esmorecer
Por mais longe que esteja, o teu flow me faz viver
Nesse instante da levada, entro como tua’aliada
E rendendo essa rima que não é tão figurada

O transcender em ti eu vi em mais de um encontro
Nessa correri’ paralizei o tempo – eu te conto:
Toda tua base e som e flow me quebrantou
Segura o regaço, agora, pois é o que firmou

Tua consciência de toda essa mentalidade
Por mais que te invoquem, tu não cai na falsidade
Aqui é mais que parceria, é harmonia de verdade
Crer no sonho é dom e vai se tornar realidade