segunda-feira, 3 de maio de 2010

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[Expediente interno.]




Se eu não tenho pressa?
Não: eu tenho urgência!
Urgência de sentir na pele o existencial questionado,
a doce essência no paladar já seco,
o cheiro colorido de tudo que conheço.
Não tenho pressa: tenho fome emergencial
Tenho uma sede de suprimir meu fôlego
Uma angústia de querer o que é eterno
Uma ânsia de pertencer ao que é terno - e nele me aconchegar.
Tudo que padeço, tudo que (des)faleço
Cumpre a função de me tornar nova ao que eu direi que é o começo
Transformo-me, transmuto-me e digo:
quero viver o que lateja em meu peito.
Quero dilascerar o que preciso aqui dentro,
com saga,
com aperto,
com afinco,
erros e acertos.
É o caminho em que posso me perder, sem medo
Já que é o traçado planejado aqui dentro
e confirmado pela razão no mesmo momento.
Urgência de sugar,
Emergência de libertar.
Urro de colorir e de perfumar.
Loucura em tocar.
Agora!


[Ainda em expediente interno.]

sábado, 1 de maio de 2010

Recomeço

No dia em que, ao ler teoria política e corrupção, conclui-se que a interpretação de uma palavra nunca alcançará a ontologia exata do objeto representado graficamente, aprofunda-se no existencialismo e descobre-se a banda Pixies...

... bem no dia em que a sensação da rotina mansa começava a inquietar a alma.

Das suas, as minhas II


"Há dois tipos de sofredores neste mundo: os que sofrem por não terem uma vida, e os que sofrem por terem MUITA vida. Eu sempre me considerei da última categoria. Se começar a pensar nisso, quase todo comportamento e atividade humana não é essencialmente diferente do comportamento animal. As tecnologias mais avançadas e os artesanatos nos levaram, no máximo, ao nível de super chimpanzés. Na verdade, a lacuna entre, digamos, Platão e Nietzsche e a média humana, é maior do que aquela lacuna entre o chimpanzé e a média humana. O reino do verdadeiro espírito, do verdadeiro artista, do santo, do filósofo, é raramente atingido. Por que tão poucos? Por que a historia e a evolução do mundo não é uma história de progressos, mas sim uma adição fútil e infinita de zeros. Nenhum valor maior foi desenvolvido. E os gregos, 3 mil anos atrás, eram tão avançados quanto nós somos hoje. O que são essas barreiras que não deixam as pessoas chegarem a nenhum valor próximo do seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é esta: Qual é a principal característica do universo humano: medo? Ou preguiça?" (Huberto Rohden).



Dorme com esse barulho agora...

Das suas, as [quase] minhas I



Eu já passei fome, já apanhei calado
Já me senti sozinho, já perdi uns aliado
Eu já dormi na rua, fui desacreditado
Já vi a morte perto, um cano engatilhado
Eu já corri dos homem, bati nos arrombado
Quase morri de frio, eu já roubei mercado
Já invejei quem tem pai, já perdi um bocado
Eu sofri por amor, eu já vi quase tudo chegado.
(...)
Eu quase me perdi nas ilusão
Fui salvo por ter sabedoria e pé no chão...

(Emicida, in Ooorra!)

Oin *.*


E o que ela dirá se ele é mais sensível do que aparenta, se é mais delicado do que querer ser?

Frieza, indiferença, palavras balbuciadas com morbidez: tudo at(omissão) falho/a.

Nessa percepção única jamais tida anteriormente, tem o ímpeto de prendê-lo carinhosamente e sussurrar: "não precisa ser assim. tua sensibilidade, sabes, é cuidada".

Atrás daquela muralha (in)transponível e sangrenta (não de onde verte sangue, mas de onde são expostos o fluido, de tantas ocasiões em que ela intentou atravessá-la), resta um ser eterno e breve, perspicaz e lento, macio e agudo.

Como uma luz que não cega, mas que ilumina à sua volta, agora ela entende: a um ser tão terno, sensível, e amável, é imprescindível a tutela com a barreira mais dura, dilascerante e e ofuscante que possa existir.

(30.10.08)

Questão interna


Frente à minha vontade do momento naquele momento, eu não tinha muitas alternativas: ou esperava um fantasma, ou dormia e depois ficava acordada de madrugada, ou saía com uma amiga e seu amigos.

A última opção me pareceu mais acertada: distrair-me-ia, cansar-me-ia e voltaria para casa só pra dormir.

Saímos em seis pessoas: um casal de noivos, dois amigos seus, minha amiga e eu. Eu sabia que um dos amigos já estava destinado para minha amiga, e já fui logo avisando a esta, via sms, que eu estava bem sozinha.

Mas deveria feito minha comunicação em alto e bom tom para todos ouvirem. Não tardou minha amiga ser beijada pelo rapaz, o que restou aproximou-se de mim e perguntou: “que tal a gente experimentar para ver se é bom?” ¬¬

Juntamente com uma ágil retirada de braço, falei “não, obrigada”. E não olhei mais na cara do fulano até nos despedirmos de todos. Por que da minha atitude? Seria mais fácil aceitar e sair no lucro? Pois não, explico-me.

Inicialmente, não culpo quem pensa assim e nem o rapaz, em verdade. Sei que é mais um que vive um carpe diem desvairado, afoito, no sense.

Durante as poucas caminhadas pelo floor, ouve-se elogios dos mais diversos: “da onde saiu essa coisa linda?”, “minha nossa, que olhos lindos!”, “que sorriso maravilhoso você tem”, “cabelos de ouro, corpo de anjo”. Mas que tais expressões não lhe enganem: você pode ser quem for, com a estética atrativa que for, ouvirá algum tipo de elogio desse. Você como qualquer outra.

Os cortejos não são lançados a uma pessoa especificamente, pois são destinados a qualquer garota. Isso significa que o garoto que o profere não busca uma garota em especial, quer qualquer, como na letra de um funk que tocava “vem qualquer uma”.

Ele quer saciar a sua vontade de beijar, de abraçar, de se passar. E, isso, qualquer uma pode lhe proporcionar. Ele quer sentir na pele um ato positivo, um afago, uma expressão corporal de que é querido e aceito. Pura ilusão, ledo engano.

Seus momentos de satisfação passarão e logo precisará de mais. Mas a garota que lhe proporcionou breves minutos de prazer é só mais uma; ele quer outra, a qual, quiçá, proporcione-lhe saciedade por mais tempo: outro engano.

A satisfação corporal passará rápido: os atos não se perduram no tempo, como as sensações produzidas por eles. E volta a ficar vazio, oco, vácuo. Chega a dar eco.

Vê-se, então, que a saciedade dele não se fará por meio de contatos físicos pulsativos, mas sim pelo preenchimento desse vazio pela sensação de que a pessoa é desejada, ou que, no mínimo, é-lhe almejado o seu bem; e isso não acontece em uma noite... mas quase ninguém mais quer investir em algo que os frutos não sejam colhidos a curto prazo. Infelizmente.



(Texto escrito em 31.08.08 e lembrado por conta do post de Luíza, no blog Mil Faces de Luíza).