domingo, 15 de agosto de 2010

Caos masculino XII - caos feminino X - Isso que dá não saber selecionar amizades



Depois de tantas ligações interrompidas, visto que ambos estavam ocupados em algum momento, ele, um antigo conhecido sem "desconfiômetro" para entender o quanto é chato com suas piadinhas (fato que ela tinha esquecido com o decorrer do tempo), retorna a ligação:

- Olá, Fulano! Há quanto tempo! Como está?
- Pois é... Estou bem! E tu?
- Bem, bem. Pois não, diga...
- Nada! Agora já resolvi o meu problema. Pra tu ver o quanto tu é inútil para mim, guria, hehehe...
- ... Mas tu achas que eu quero ser útil para uma pessoa como você? Não, muito obrigada!
- Ah, tu não queres ser útil pros teus amigos??
- Para "amigo" como você, não. Para que querer ser útil a alguém me me chama de inútil? Tenho amor próprio, né?
- Hm... e o teu cachorro, como está?
- Foi doado.
- E tais morando onde?
- No mesmo lugar. Mais alguma coisa, ô Fulano?
- ... não... não...
- Então tá. Beijo.
- Bei... tu tu tu tu tu...





 Bem feito para mim que, na adolescência, achava que todo mundo era amigo ¬¬

Ainda bem que  tenho  aprendido um tanto sobre  o tema amizade :D~

sábado, 14 de agosto de 2010

Caos masculino XI - A consideração



Ele, com o objetivo de se fazer centro das atenções e mostrar aos amigos que tem mais intimidade com ela do que os outros, questionou, meio revoltado:
- Tu não vais me dizer que ias embora sem despedida com um um beijo e um abraço?

Ela se volta a ele, com uma das sobrancelhas erguida, já percebendo a sua intenção e profere, em alto e bom tom para atingir os ouvidos dos amigos dele:
- E tu achas que tu és quem para me cobrar alguma coisa, ainda mais com essa intimidade?

- É que eu tenho muita consideração por ti, defende-se ele.

- Ah, sim. Se tem tantas consideração, não deverias me cobrar nesse tom arrogante. Mas já que deste ensejo a isso, aproveito e me despeço, mas sem beijo e sem abraço. Até. 

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Caos analítico II - o menino invisível


Criança, ninguém o ouvia: a família deixava-o de lado (era somente centro de preocupações em suas necessidades básicas físicas, e não em suas necessidades básicas afetivas), os coleguinhas o desprezavam por não fazer parte da mesma classe social (a média ou a alta).

Na escolinha, percebeu que era observado quando tirava boas notas e isso passou a ser seu objetivo. Aluno e filho exemplar ("esse menino tem futuro"), estagiário modelo, empregado de ponta. Não incomodou ninguém com relação ao seu objetivo profissional porque todos sabiam que, por si só, restaria bem  colocado no mercaod de trabalho. Nada lhe faltaria, pensavam. Mas pensavam com base no modelo político-econômico em que ainda vivemos, e não fundamentados no modelo de amor a que anseiam os seres humanos.

Em poucas vezes, então, sentiu-se amado verdadeiramente, mas sabia quando era valorizado: quando era destaque nos estudos e no trabalho. Passou a ver nestes uma possível tábua de salvação: aventurou-se em estudos para ser professor e palestrante, já que, assim, além de ele ser ouvido, poderia ser admirado, amado, querido por seus alunos.

Mas o receber implica em doar: não soube, em suas experiências docentes, proporcionar um ambiente de conforto e confiança a seus alunos. Por consequência, recebeu mais hostilidade do que boa recepção de seus discentes. E frustrou-se. Após anos de magistério, perdeu seu foco e quedou-se à rotina e às aulas expositivas autoritárias. Morreu em vida.

E o menino em seu interior ainda ambicia por amor, mas não sabe como buscar, nem quando, nem em quem.

Ideal


E a bagunça se instala e trata de arrumar suas confusões para permanecer pelo tempo que deixarem.
Após a queda de ídolos, depois da descoberta de que os ideais não são tão certos assim (na verdade, são bem ideais, pois impossíveis de serem alcançados), queda-se ao caos, novamente.
Ao redor, nada com lógica, todos andando sem rumo - quando não em círculos -, buscando uma satisfação momentânea para essa existência sem respostas certas.
O projeto ideal é visto como tal: tão utópico, tão longe, tão impossível de concretização, tão falso. Não é um ideal que se perfaz em meta, é um ideal que se transveste de realidade e só leva à ilusão. É um ideal mascarado de possível realidade que nunca chegará.
Apesar dos ideais-meta também utilizarem a ilusão do possível perfeito para guiar os que os querem alcançar, estes, ao menos, proporcionam um caminho de lutas e gratificações equivalentes.
O ideal falso, não. O ideal falso é um dos fatores que mais enganam a tomada de decisões - remetem ao pensamento "se não der certo, ao menos tentei e sorri deveras". Não. Não dará certo, de fato, e o caminho propórcionará choro, lamento e um bom tempo para retornar.
Quando se tem a (pre)visão disso, para-se. E o pseudo-objetivo se esvai como fumaça. E, então, é possível observar o redor: confusão.
Até a empreitada a outro objetivo - falso ou meta.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Caos analítico I - menina confusa



Tive dó daquela menina-mulher enquanto ele relatava que era "passada" e já tinha se relacionado com não sei quantos caras conhecidos dele.
Ele riu. Eu me silenciei, pensativa, esperando a próxima chacota a que ela seria submetida às suas costas.
Ele gargalhou sobre um fato que contou. Eu perguntei se ele estava gostando dele.
Ele se resumiu a dizer que, se sentisse algo pela garota, teria ficado com ela quando ela deu oportunidade. Riu mais ainda e emendou: ela é cheia de problemas.

Minha compaixão, assim, encontrou uma raiz: carência. Aquela menina, cheia de problemas, cheia de complexos, buscava aceitação ao se tornar, precoce e imaturamente, uma mulher. Aprendeu, com a tal maré de erotização humana exacerbada, a se saciar saciando-os.

No entanto, reflete, dessa maneira, uma motivação que não é a real: simboliza aos outros uma promiscuidade que não pertence ao seu caráter, pois se pode entender promiscuidade como a qualificação comportamental de quem extrapola, conscientemente, seus desejos sexuais.

Ela, não: seu comportamento é inconsciente e se caracteriza por buscar preencher o vazio, não o do corpo, mas o da alma.

Insegurança por imaginar que não será aceita como é.
Carência por não ser aceita como é ou por projetar nos outros uma atitude que eles não são capazes de lhe proporcionar.

Confusão. Confusão de vontades, confusão de atitudes.

E dissenso. Dissenso entre o que eu pensava e a gargalhada do tal cara.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010



O amor ri daqueles que o limitam em grupinhos, em seitas, em palavras, em representações.
E sua gargalhada é reconfortante - e ruborizadora, porque ri de mim, inclusive.

E ri para mim.
E sorri e convida.