quarta-feira, 6 de outubro de 2010



Gosto de revisões.
Constantemente, dou uma revirada no armário, nas gavetas, nas lembranças e nos sentimentos para ver o que não me serve mais.
Nessa última semana, tirei quase um terço de roupas do meu armário, limpei uma papelada da época da graduação e joguei fora cartas que não representam mais sentimento nenhum, apenas uma lembrança que, hoje, diretamente, não faz mais sentido nenhum.
Lembrei recordações de ontem e de uns anos que não me dizem mais nada - são um lixo no HD. Apertei shift+del e as exclui definitivamente.
Espaço no guarda-roupa, nas pastas, na mente e no coração.
Revisão, para mim, implica em novidade.
E gosto do novo.
Algumas pessoas já me apontaram como ingrata por me desfazer de certas coisas como essas. Mas ingratidão não tem nada a ver com isso. 
À gratidão, é imprescindível  uma vantagem. Mas muitas dessas coisas não me foram vantajosas de fato.
Então, para que guardá-las?
Ademais, para que guardar? Que sejam livres e benéficas a quem delas precisar.

Gosto de me mudar, por consequência, respeitando a complexidade de tudo que experimento. Mantenho-me as extremidades flexíveis e com um centro fixo: mudanças para o melhor. Lógico, o que penso ser o melhor. Aqui, desfaço-me de critérios econômicos, de moda, de vampirismo.

A constância é a mudança pautada no que era certo e, agora, é-me errado.

E errado é ter coisas e pessoas do meu lado que não frutificam boa fé e objetividade, principalmente. O que posso conseguir de outro modo, sejam livros antigos (que são renovados pelas novas edições), sejam pessoas que só oferecem o que todos oferecem (uma repetidão enfadonha do ser menos humano), eu nem reciclo. Troco pelo novo e ponto.

Afinal de contas, qual é a beleza de algo que faz questão de se repetir e não demonstra nenhuma originalidade, intensidade e verdade em si?
 
Na verdade, por falar nela, tudo isso é encontrado a partir do observador. Vai de quem observa ver a todas as qualidades do que há em seu redor. Mas a motivação para isso conta demais.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

OMG!


Se há uma coisa que me faz gargalhar é quando tentam enquadar minha personalidade em alguns atos perdidos no tempo.

O que me dá mais graça ainda é quando, só pelo fato de conversar comigo por míseros momentos e me visualizar em 0,0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000002% das possibilidades que eu posso ser, têm a prepotência de achar que me conhece e de crer numa singela reação minha.

Mas o que me diz "termina logo com isso, garota" é quando mostram nitidamente que crêem inescrupulosamente  na maldade do ser humano, em sua torpeza e em sua crueldade e tem a capacidade de pautar o relacionamento comigo nessas condições.

Tag: bem feito, guria! eu te avisei! 



Ah, malandragem...


Começo assim: descobri-me perfeccionista. Tudo que eu fizera, tinha que ser perfeito. Tudo que eu era, deveria significar perfeição. Tudo do que eu participara, deveria ser perfeito, em minha imagem e semelhança.

Assim, por conseguinte, descobri-me concentradora. Todas as atividades em que eu estivesse envolvida deveriam ser perfeitas. Por isso, fazia a maior parte dos trabalhos, ficava encarregada da maior parte dos afazeres. Por quê? Porque não confiava na habilidade dos outros. Não confiava na capacidade de os outros exercerem uma determinada função com o mesmo esmero que eu, perfeita, era capaz de fazer.

No mesmo compasso, descobri-me manipuladora. As pessoas deveriam fazer o que eu queria - para, lógico, tudo ser perfeito como eu imaginara. Para tudo dar certo, porque, de modo diferente do qual eu pensara, era errado. O contrário da perfeição era a imperfeição, óbvio, e isso era inconcebível.

Desse modo, descobri-me estrategista. Aprendi a manipular as pessoas, a fuçar os seus intentos, e perquirir rasteiramente suas vontades. Montara, então, estratégias para que, com tais informações, pudesse alcançar meu objetivo: ter tudo perfeito, inclusive meus relacionamentos. Nesse restrito mundinho em que me permitia sobreviver, sabia manejar argumentos, planejar jogadas, prever atitudes e comportamentos.

Por consequência, não me via como opressora. O relacionamento humano deve ser pautado, claro, pela alegria da liberdade de manifestação de sentimentos e vontades. Mas as minhas relações eram baseadas nas estratégias que eu impunha aos meus contatos, que eram cercados e limitados pelas minhas artimanhas. Inconscientemente, eu sabia o que fazer para ter tudo na perfeição que planejara. Mas nunca era o bastante. Cada vez mais, oprimia que estava do meu lado, com jogadas (im)pensadas, para que eu pudesse me satisfazer.

Infelizmente, não me via como uma farsante. Vivia numa ilusão de que a perfeição do mundo depende de mim e que, por isso, todos deveriam dançar a minha música. Criara uma fantasia em que eu mesma estava me corrompendo - o que só pude perceber depois de muitas perdas e depois que passei a questionar a mim mesma.

Reinicio assim: hoje, abandonei a máscara do perfeccionismo e da manipulação. Entendi as raízes do meu problema e arranquei a erva daninha da minha existência. Conduzo meus passo com extremos questionamentos sobre intenções e interesses, como muitos sabem. 

Apesar de ter me libertado de mim mesma, guardei muito bem as experiências daquela época  - que jaz na adolescência. Para me questionar, precisei, dentre outras coisas, colocar-me no lugar das outras pessoas. Assim, passei por todasas posições dessas estratégias e, ainda, a vida se encarrega, sempre, de me colocar à frente outras situações em que mecanismos de defesa e de proteção podem ser descobertos.

Então, malandro, não me venha com articulações pseudojustificáveis e pseudoplausíveis de responsabilização de outrem por seus próprios atos e por seus próprios erros porque eu sei muito bem que é muito fácil culpar os outros. Mas se enfrentar no espelho que é o difícil.

Nessa escola aqui, lerdo é o gato que cai em pé e que nasce de bigode. É uma escola de principiantes, lógico, mas já é suficiente para saber entender que a enrolação num relacionamento é um pé no saco e que as argumentações (pautadas na subjetividade) infindááááveis e chatas pra krai só servem para concluir que alguém está errado e que outrem é o vencedor. Mas vem cá: numa briga em um relacionamento, ninguém ganha - ambos perdem.

Outra coisa que aprendi, também, é que não adianta dar murro em ponta de faca: se uma pessoa não se enquadra ao seu jeito, nada de forçá-la a ser quem não é. Aceite-a e fique à vontade para manter o relacionamento, ou não. Sem juízos de valor ou julgamentos. A coisa é feita de alma aberta, pois o que importa é cada um encontrar a si mesmo, em sua liberdade e na alteridade.

Por isso, não há arrependimento de um fim de uma relação quando se sente uma leveza gostosa na alma.  Antes não tê-la do que ser uma corrente na vida, ao invés de um laço.

Por fim, termino livre: e o meu maior prazer, com todos os que gosto, é lhes mostrar que podem viver sem mim, devolvendo-lhes a si mesmos. Isso ao contrário de todas aquelas ideias românticas de "preciso urgentemente de você", porque precisamos, mesmo, de si mesmo, conscientes e livres, e porque o "gostar de alguém" (em sua identidade, como é ou o que faça) é diferente do "precisar de alguém" (e necessitar ter a pessoa de um jeito e em uma hora determinada).
 
Que bom viver... como é bom sonhar
E o que ficou pra trás, passou!
E eu não me importei!
Foi até melhor: tive que pensar em algo novo que fizesse sentido...


Dorme, vai


Quase todos os meus entreveros são pautados no engano do argumento ad hominem. Na verdade, devo me expressar de forma equivocada que leve meu interlocutor a crer que estou atingindo-o, no lugar de, simplesmentes, refutar a sua ideia.
Por vezes, obrigo-me a esclarecer que "sou contra a tua atitude, mas isso não muda nada o que sinto por ti" ou "não penso ser correto o que dizes, o que não abafa em nada o nosso relacionamento".
Depois de muito explicar que "tu" é diferente de "tua ideia" ou "tua atitude", a pessoa se vê satisfeita por eu considerá-la. E eu me vejo cansada por tantas ponderações de "isso é diferente daquilo".
Mas me resignava, visto que o engano poderia ser fruto do que sai da minha boca, e não da recepção de quem me ouve.
Ultimamente, contudo, ando equalizando beeem mais minhas palavras e conclui que (a) ou meus significantes são diferentes de todo mundo ou (b) algumas pessoas me interpretam de forma errônea.
Considerando que não é todo mundo que fica de birra quando eu faço algum comentário em sentido oposto ao de sua preferência, tenho por falso o item (a).
Restou-me esmiuçar o item (b). [nossa, que analítica, heoheoehoe]
O que mais observo é que (óbvio) o background de cada pessoa vai determinar o modo com que ela vai perceber o mundo e, por consequência, as palavras que os demais lhe dirigem. Nesse background, podem ser encontrada a maior diversidade de sentimentos e pensamentos, muitas vezes baseados em mitos culturais falsos, que lhe foram passados pela família, pela tradição religiosa, por outros relacionamentos, pelas amizades e por mil outras opções.
Mas, o que é inconteste na maioria dos backgrounds é o medo. O medo motiva ações das mais variadas ordens, desde as mais racionais às mais ilógicas. Toscas. Infantis. Infames. Desumanas. 
O medo, de fato, tem um efeito devastante: afasta as pessoas ou esconde as suas essências em um oco em suas almas e as maltrata, de maneira que se sentem vítimas de perseguição e que as fazem pensar "todos estão errados, estão contra mim".
Ou, ainda, o medo produz uma sensação de autossuficiência que separa a pessoa das outras que lhe são mais queridas: "eu sou demais, não preciso de ninguém... se ele/ela não me quer, apesar de eu gostar dela, eu não o/a quero também" (frisa-se: o pensamento de "tal pessoa não me quer", muitas vezes, é pautado em mentira, como todo o resto).
É o medo por algo que ainda não acontecerá, nem há possibilidade concreta de que vai acontecer e, principalmente, que não acontece. É fruto de conclusões errôneas que a pessoa tirou de antigos relacionamentos, com os outros e consigo mesmo.
A pessoa vive numa farsa, numa mentira, separando-se dos outros e, pior, imputando a eles um equívoco que está dentro de si mesmo e que não enxerga porque o seu EU é imaculado, não tem falhas e nem erros. Em suma: por medo, previne-se contra possíveis atitudes dos outros, mas se ataca de fato.
A falha na percepção de uma opinião contrária, assim, faz-se como um ataque a si próprio: equivocando-se com o inexistente argumento ad hominem, fere-se sozinho e afasta os outros - que, por sua vez, lógico, não querem se machucar com uma pessoa tão equivocada de si mesmo.

Quando isso acontece, eu também me afasto. Mas chego a me aproximar novamente... mas sem esperar nada da pessoa... nada além de novas mutilações - apesar de eu crer, no meu íntimo, em seu despertar.

Alcançando um pouco do caos


"E se uma pessoa não quisesse manter sua palavra com você, ou por alguma razão sentisse que simplesmente não podia mantê-la, por que você desejaria que a mantivesse?
Você realmente quer que alguém faça o que foi combinado não quiser fazer isso? Realmente acha que as pessoas deveriam ser forçadas a fazer o que acham que não podem (ou não querem) fazer? 
Por que você desejaria forçar as pessoas a fazer algo contra a sua vontade? [...]

Você não precisa se preocupar com o que 'obterá de volta'. Só precisa se preocupar como que 'dará'. A vida diz respeito a criar maior capacidade de dar, não maior capacidade de receber. Vocês sempre se esquecem disso. Mas a vida não é 'para receber'. É 'para dar', e para fazer isso você precisa perdoar os outros - especialmente aqueles que não lhe deram o que VOCÊ ACHOU que ia receber! [...]

Se outras pessoas não cumprirem acordos, vocês simplesmente as deixarão seguir seus caminhos, fazer suas escolhas e criar suas próprias experiências de si mesmas. E tudo que elas não lhes deram vocês não perderão, porque saberão que 'há mais no lugar de onde veio isso', e que você é que são suas fontes, não essas pessoas".

Neale Donald Walsch, op. cit.