quinta-feira, 8 de dezembro de 2011



Quem eu penso que você é?
Provavelmente um limitado confesso, que prioriza quem você é em detrimento de quem você pode ser.

sábado, 26 de novembro de 2011


Minha infância não conheceu muito bem um computador, então posso afirmar que tenho um antes e um depois tecnológico-informacional.

Um antes restrito, regionalizado, bairrista e calmo. O depois acelerado, universalizado, plural, disperso. Em tais tempos, localizo algumas tendências comportamentais similares, dentre elas o interesse de muitos por uma satisfação passageira que os embriague contra o (pseudo)niilismo existencial e contra o trabalho de construção consciente de uma verdade compartilhada.

O abandono da responsabilidade de tal empreendimento implica a aceitação da montagem de uma verdade, também compartilhada, mas inconsciente: nossos contemporâneos preocupam-se com relatar o que está fazendo pela manhã ou no banheiro (em busca de atenção ou de ser o centro desta); em mostrar-se aos amigos (que não são tão amigos assim) e desconhecidos como uma pessoa com uma estrutura física perfeita, colocando em evidência partes do corpo que poderiam fazer com que alguém (qualquer alguém) se interesse por eles (muitas vezes sem saber (ou sabendo e querendo) que o único interesse a ser despertado é o sexual); em expor imagens próprias em lugares ou situações que, de acordo com os padrões convencionais, demonstrem que são bem sucedidos financeiramete, como se circunstâncias patrimoniais representasse o seu verdadeiro caráter; em discutir imagens de outras pessoas que, também realizando feitos insignificantes, tornam-se os ícones e, bem provavelmente, exemplo; em deliberar sobre alguma mazela num lugar longe deles e agradecer por não estarem vivendo em tal condição; em dialogar (para não dizer monologar) sobre notícias com o único objetivo de se mostrarem bem informados nessa imensidão de informações que não nos beneficia em nada.

Essa é a verdade que está construída sob seus pés, ao redor de seus olhos e ouvidos e que os aprisiona. É a perda de tempo de uma construção que não edifica (em) nada, somente deixa montada a ignorância e a futilidade.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Em vários momentos somos visitados pela dúvida sobre pertencimento: pertencer à guerra ou pertencer ao amor?

Quiçá ser livre para poder escolher por ambos.


Ou a nenhum.
Ou à conveniência.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

No ápice de 4 dias de estudo intensivo (cume dos meses anteriores de livros, artigos, relatórios, etc):
"Pessoas normais não se esforçam".










quarta-feira, 28 de setembro de 2011


Todos se mostram.
Despedem-se das roupas adquiridas para impressionar, da maquiagem e dos belos gestos educados e mostram suas feridas, traduzindo-as em imagens compreensivas de estados limítrofes.
Mais do que uma delimitação da condição normal de tratamento do outro, desfaz-se a aparência que construiu por tempos, mas que sabidamente era falsa ou irreal pelo mesmo tempo.
Quando a lucidez acompanha essa processo, enxerga-se nitidamente como são proferidos retratos terríveis e como o corpo sendo atingido por incessantes punhados de lodo. E, com consciência desse momento, entende-se que isso aconteceria, mais cedo ou mais tarde.
É o seu limite do elegantismo social que se esvai e atinge-se o seu limite individual: até onde você é capaz de ir quando se sente ofendido?

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Check


São tantos os acontecimentos que permeiam e adentram a minha vida que, por muitas vezes, comento que "sinto-me firme a uma rocha enquanto todo o resto dança a espiral de um furacão". E a dança é frenética: ora eu fico tonta; e mas a dança também é calma: ora eu me concentro para perder nenhum insight.

Ao mesmo tempo em que não sei como já cheguei em setembro (eu ainda estaria em junho, julho), eu tenho a certeza de que não sou a mesma do mês de agosto. Se sou melhor ou pior, somente as pessoas que estão ao meu redor podem me dizer - além de mim, que recolherei em breve os frutos dessa colheita envolta por ritmo, tempo, névoa e paz.

Sinto que uma das poucas conclusões que posso tecer, e aqui deixo como registro íntimo, é a de que sou responsável pelo juízo de todas as circunstâncias. Se admito a sua positividade e o aprendizado fértil, indico que tal fase é pró, enquanto sua resignação como contra será se dela não extrair um mínimo "não repita mais isso".

Diante desse niilismo de valores, lanço mão de princípios que me auxiliem nessa escolha. E, como uma medida de antiflagelo, escolho, como base, o princípio da sobrevivência. Para tanto, nada que me deflagre sofrimento (eis que esse sentimento tem um viés destrutivo se mal "manejado") pode subsistir. Das ganas mais sórdidas de qualquer treva, há de existir uma luz. Se não existir, fabricamo-la (ênclise xD) - afinal, criamos tanta ciência e tecnologia, por que não criar uma simples lâmpada acesa no final do túnel?

Assim, portanto, essa fase é pró, como qualquer outra - imputação que é corroborada com as sincronicidades (e, especialmente, entre duas almas :D) e a complexidade da vida.

O caráter complexo da vida é inegável, já que nosso processo cognitivo é pautado por polos, por extremos. Ligamos o separados e separamos os ligados, como afirma Morin. Conhecemos o frio porque temos ciência do quanto, assim conforme ocorre com relação ao branco e ao preto.

Por isso, inexorável a presença de lamúrias, de choros, de angústias, no mesmo compasso de alegrias, gozos, felicidades, conquistas.

O que fará a diferença para mim é a escolha entre viver de angústia em lamúria, atravessando an passant por alegrias, e viver de felicidade em conquista, sobrevivendo às intempéries do tempo - o qual, por sua vez, é criado por nós mesmos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Almost




Para aliviar nossa dor, entorpecemo-nos. Engolimos goela abaixo qualquer coisa que nos prometa que aquele sofrimento vai passar. É algo bom, é algo que encobre nossa vergonha, que cicatriza nossos defeitos ou que, simplesmente, faz-nos esquecer de quem somos.

Somos aqueles que rimos, mas nem nós mesmos nos aceitamos quando não podemos lançar um sorriso. Não é o outro que pede a nossa perfeição: somos nós mesmos. E, por isso, imploramos por paliativos que nos endireitem e que nos prometam o paraíso.

Revenciamos as migalhas do que não podemos ser em um dado instante e lamentamos as consequências de nossas inconsequências. Diante da lamúria, queremos ser o que sempre somos: aquilo que achamos que somos.

Cremos que somos sempre luz, uma atmosfera leve e brisa de flores e firmeza. Qualquer coisa que, possivelmente, mude esse panorama, negamos que seja nosso. Imputamos ao outro. Imputamo-nos uns aos outros.

Mas, se nos reconhecemos no lamento, queremos um remédio fácil, uma droga que nos faça esquecer essa falha, esse defeito, essa via torta de nossas vidas. Não queremos suportar o regresso, olhar para trás e resignarmo-nos que nossos próprios atos causaram nossa tragédia. Ansiamos substâncias externas que nos tragam o alívio e que dizem "comigo, você será melhor".

Não. Não seremos melhores. Seremos outros que não nós mesmos. Seremos outros que não humanos.
Na ilusão salvadora, jogamo-nos um fosso de lama, vazio de vida, oco de sentimento. Perdemos nossa humanidade, nossa sensibilidade, abandonamos nossa essência.

Esquecendo a dor que arde em nós, esquecemo-nos de nós mesmos, pois somos sofrimento também - não um duradouro, mas um que constitui uma fase necessária para avançar à descoberta de nossa vida.

Eu quis não sentir dor e não senti minha vida. Perdi meus sentidos - todos os doze - por alguns dias, o que foi suficiente para eu ser grata por quem sou, pois já não conhecia mais minha definição.

Perdi dores, limites, sentimentos, e eu mesma. Tudo o que dizem que impede uma pessoa de ser livre, na verdade, entendo como sendo o que a define como ser humano. Os limites, nossos verdadeiros limites, não nos prendem: libertam-nos.

Mas eu não tinha mais nada disso naqueles dias vividos em uma esfera inferior. Eu via algumas pessoas passarem; eu, indiferente, deixava-as ficar ou ir. Não me importava; nada me importava. Perdendo minha sensibilidade à dor, tormei-me o próprio sofrimento. Uma agonia humana de nem poder dar à própria existência um sentido. Um niilismo de tudo.

Ouvia vozes e isso nada significava. Meu paladar era depressivo. Minha intuição, tinha abandonado. O mesmo dia, as mesmas 75 horas diárias, o mesmo aconchego frio e vazio, a mesma rotina, a paralisia dos movimentos, a estática do viver.

Até que algo maior, pontual aqui dentro, foi se inspirando com o fôlego de uma voz lonquíqua que teimava em dizer: volta! A teimosia me irritava. Eu a queria longe e, esse algo aqui, queria-a perto. Um paradoxo formou-se, então, e inclinou-me à luta: encaro a minha dor na sua exata medida e abandono os utensílios de engodo.

A teimosia, assim, transformou-se em persistência.
Alguém não havia desistido de mim no momento em que eu mesma me largava à própria sorte e permitia o afloramento de um estado egóitico e (auto)destrutivo.
Alguém acreditava em mim, apesar das mentiras que eu me lançava.

Minha essência era vista e requisitada.
Só assim ela pode acreditar, novamente, em si mesma.

Só dessa forma vi, vimos, que o real sofrimento é não pertencer a si mesmo, é perder-se, é, aqui, não existir.