terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Não tinha teto, não tinha nada

Naquela casa cinza há um silêncio rasteiro, omissivo e enebriante. A letargia que sua névoa provoca é sufocante, causa cegueira e oferece a passividade estanque.
As circunstâncias mudam, mas o núcleo de sua estrutura mantém-se intacta pela força que se dá ao silêncio. Poucas vozes, fracas e roucas, chegaram a se erguer, mas foram brutalmente forçadas a emudecer.
Calaram-se as forças internas e poucas forças externas conseguem lá adentrar: somente para mais alguns dias, para mais uma semana.
A desordem povoa a alma do lar que se faz uma cela aberta, onde os que lá estão devem seguir as ordens: silenciar-se. Apenas banalidades são ditas; poucas verdades são abertas... e nenhuma revelada. Os que lá permanecem seguem essas regras, que não são as determinadas: são as veladas. O silêncio é a regra de ouro... o ouro que formou as correntes e as mordaças. 
 
O ímpeto da descoberta espera o momento, mas se fortalece antes para que não seja encoberto pela névoa emudecedora.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Just A Dream

Foi só um sonho...


Quem serei eu se continuá-lo? Quem serei eu se quiser acordar ou sonhar outra coisa?

Para você, meu querido: esse e o próximo post.

domingo, 6 de janeiro de 2013

ur so biautztiful


"Em momentos de segura soberba, é claro ver que agir é muito simples e impor seus pensamentos é ainda mais - desde que você se mantenha recluso em seu ego e não se importe com os demais ao seu redor. Mas, quando você quer se abrir à atmosfera de crescimento interpessoal, é preciso que você se abra, inicialmente, contra si mesmo. É preciso de abrir de modo a colocar à prova todas as suas seguranças: suas crenças, hábitos, comportamentos, manias, preconceitos. Na sua abertura, tudo pode ser questionado, inclusive você mesmo. É aí que está a potencialidade de grande dano ou de grande evolução para si mesmo. Um dos maiores conflitos que se mostram, então, é que o questionamento que alveja sua existência e razões é emanado de outra pessoa. Uma pessoa que, muitas vezes, não demonstra a mesma facilidade de abertura ao encontro interpessoal e que, em muitas outras vezes, é o alvo de sua própria arrogância... o outro como diverso de você e, por isso, estranho ou equivocado. Pelo trovão de agora, lembro que adoro chuva, especialmente porque esse tempo me faz ficar em casa com ela, dividindo mais que 24 horas diárias de mútua presença marcante. Em um dia, temos uma vida. E como eu aprecio a presença dela. Tanto que, por ela e por mim, com o objetivo de nos tornarmos cada vez mais nós, abro-me numa resolução quase infinita de não magoá-la, de não interferir em suas vontades, de querer realizá-la e de, especialmente, não quebrar climas. Resolução quase infinita porque meu ego aqui gosta de fazer escândalos internos e, em algum momento, esse eu tem um limite: o limite do "deu". A revolução e a tormenta homérica que cada escândalo endógeno provoca me faz, juntamente com os questionamentos dela, a questionar minha própria estrutura existencial. O caos se estabelece e, aparentemente, toda a construção mental desmorona. Em poucos instantes, contudo, vejo que o "deu" não é tanto assim, comparada à esperança de eu tê-la sempre por perto. Tenho mais força e posso lutar mais contra mim. Sim, eu consigo... eu consigo lutar para mantê-la em meus braços nesses dias chuvosos. Só preciso de menos de mim".

sábado, 3 de novembro de 2012


Pessoas não se acompanham mais.
Pessoas acompanham a tecnologia, vão atrás dela e alienam-se por ela.
E as pessoas que não a acompanham, não são nem bloqueadas ou excluídas: são esquecidas.

E ser esquecida é tão ruim assim?

:)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Search...



Em menos de um ano, mudei de cidade, de emprego, de atividade física, de pensamentos sobre dinheiro e bicicletas. Larguei sonhos de justiça, abracei outros, finquei  mais raízes e planejo mais viagens. Agora acho que entrei em uma espécie de questionamento de identidade: afinal de contas, o que eu quero?
Às favas para aqueles que imputam abstração demasiada, eu quero é mais ser eu mesma, o que eu não sei se ando sendo muito nesses dias. Creio que, no meio de tantas estradas, pedágios, livros e alunos, eu fui deixando um pedacinho de mim em cada instante que consigo, por ou sem querer, gravar com detalhes na minha mente. Gravo os momentos vividos, mas as partezinhas deixadas, não lembro quais são.
Talvez seja falta da rotina, talvez seja o novo, o velho hábito se renovando ou a inovação que não era prevista nos planos, a doação a outras pessoas, a importância a outras pessoas... Vejo que os sonhos são mesmos doces, os projetos são tão! racionais, mas, na experiência, sempre há detalhes não previstos, para os quais ninguém está preparado.
E volto aqui na tentativa de juntar, pela 28347ª vez nesses anos de primavera, as peças do que eu posso chamar de mim mesma.
Já sei que sinto falta de escrever. Isso já ajuda.

o/


Má que saudade :D