terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Carx amigx
Eu lembro de quase todas as vezes em que você não falou comigo porque sua namorada tinha ciúmes e não deixava você ter contato comigo. Eu me recordo das vezes em que você deixou de sair comigo porque aquele cara ligou para você, querendo sair em cima da hora.
Guardo na memória as ocasiões em que você me deixou no vácuo no meio de uma conversa porque sua namorada apareceu. Lembro das vezes em que eu te ouvi quando você chorava a superficialidade das relações em sua subjetividade e a ausência de conexões, que tanto nutrem nossas almas - nós sabemos, nós sentimos. Te dei minhas mãos, te dei meu ombro, partilhei contigo o tempo e o dinheiro que eu não podia. Abri meu coração para te abraçar.
Sempre que eu puder, farei isso. Serei, assim, como uma fortaleza em que você poderá se refugiar quando estiver fraco; e que você deixará quando estiver forte. Você sabe disso.
Você pode esquecer de falar comigo. Você pode esquecer do que fiz ou do que posso fazer por você. Você pode nem perceber que eu, talvez, também queira um pouco de você para guardar comigo, porque eu sei que você é genial.
Mas, quando lembrar, você sabe.
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Brainstorm em dissertação
As pessoas sempre vão se aproximar de você com algum objetivo: porque elas se identificam com você de alguma forma e querem te conhecer mais, ou porque elas se distinguem de você e acabam, dessa forma, às vezes, aproximando-se para refutar suas ideias.
Particularmente, experiencio mais a primeira hipótese e, na verificação da segunda, acabo por eu mesma me afastar porque não me é interessante manter aproximação com nenhuma pessoa que que refutar ideias sem o mínimo de diálogo. Havendo diálogo, ok, vamos conversar.
Ultimamente, algumas pessoas se aproximaram de mim. Algumas vezes, não considerei, de início, questionar-me qual a razão de sua proximidade, considerando que o que eu queria estava acontecendo; os meus interesses eram atingidos - tal proximidade - e é isso que me importava. Mas nesse troca-ganha-perde dos encontros, o dinamismo é muito mais complexo do que isso.
Em algum ponto desses relações, alguém apresenta uma expectativa. E essa expectativa, como já devo ter comentado aqui ou em algum outro lugar, geralmente é baseada em uma projeção do que você acha que a pessoa é ou de como ela vai se portar. Mas, ah, a liberdade de viver é bem maior do que uma expectativa para, quiçá, preencher alguma carência afetiva.
De início, digo "geralmente" porque criamos expectativas baseadas no que as outras pessoas falam. E, vamos lá, não chego a apontar as expectativas romantizadas de "vou te amar eternamente" ou "quero viver sempre ao seu lado". Falo de esperas mais simples, como: "vamos sair neste sábado" ou "farei um jantar para você". Quando isso não acontece, quando ocorre, sim, um perdido ou uma displicência do que fora combinado, BUM: essa pessoa não tem palavra. Ok, concordo que qualquer imprevisto pode acontecer... mas a existência de uma relação pressupõe a participação de, no mínimo, duas pessoas. Para que isso funcione, nada melhor que diálogo, transparência, atenção. Se não há isso, vamos lá: a pessoa não cumpre com sua palavra, simplesmente; ou, além de não cumprir com sua palavra, ainda acha que a outra pessoa não é digna de qualquer tipo de conversa. É algo que a moral, a mais humanista possível, sabe bem explicar.
E a liberdade de a pessoa falar, omitir-se, ser displicente com ela e com os outros? Bem, a liberdade não é algo que possa ser vista de um prisma linear, exatamente porque há o convívio com outras pessoas. Por essa liberdade, busca-se igualdade (com todas as discussões que envolvem o assunto) e busca-se o mínimo de comprometimento com aquilo que a própria pessoa se propõe a fazer. Se não é capaz de fazer ou não quer, não fale, não se comprometa falaciosamente.
Agora, as projeções criadas por aqueles que idealizam as outras pessoas. Aparentemente, tais pessoas não possuem uma abertura suficiente para se permitir conhecer a outra pessoa; muitas não querem perder tempo, criam a fantasia, se comprometem por algum determinado plano de vida que criou, sozinho, em sua mente, e coloca a outra pessoa no script - e ai se ela não andar conforme o que o monólogo indica.
Diversas discussões originam-se porque não enxergamos a outra pessoa como ela realmente é: queremos que ela se enquadre no que nossa mente produziu com as peças que conhecemos de tal pessoa. E a mente engana porque sempre está sempre nos orientando para aquilo que nos dá mais satisfação: manter-se afastado para não e envolver, criando a figura de uma pessoa ruim; ou manter-se próximo, com a figura de alguém que corresponde a todos os nossos tipos de ideiais.
Muito dizem que vivemos em um mundo em que as pessoas estão vazias. Pode-se até concordar com tal afirmação, mas de forma relativa: as pessoas estão vazias de permissão se conhecerem, de liberdade de amar, de empatia, alteridade - e, sim, serei bem clichê. Mas estão cheias de apontamentos aos outros, de julgamentos, de expectativas que suas próprias frustrações ou necessidades criaram, mas que não conseguem enxergar porque é mais fácil, sempre, culpar o outro.
O que mais ouvimos por aí é "você deve ser assim", "você deveria ter agido de tal forma", "você tem a obrigação de fazer tal coisa". O que menos ouvimos é "faça suas escolhas: mantendo-se consciente, elas te levarão para o melhor lugar par você".
Particularmente, experiencio mais a primeira hipótese e, na verificação da segunda, acabo por eu mesma me afastar porque não me é interessante manter aproximação com nenhuma pessoa que que refutar ideias sem o mínimo de diálogo. Havendo diálogo, ok, vamos conversar.
Ultimamente, algumas pessoas se aproximaram de mim. Algumas vezes, não considerei, de início, questionar-me qual a razão de sua proximidade, considerando que o que eu queria estava acontecendo; os meus interesses eram atingidos - tal proximidade - e é isso que me importava. Mas nesse troca-ganha-perde dos encontros, o dinamismo é muito mais complexo do que isso.
Em algum ponto desses relações, alguém apresenta uma expectativa. E essa expectativa, como já devo ter comentado aqui ou em algum outro lugar, geralmente é baseada em uma projeção do que você acha que a pessoa é ou de como ela vai se portar. Mas, ah, a liberdade de viver é bem maior do que uma expectativa para, quiçá, preencher alguma carência afetiva.
De início, digo "geralmente" porque criamos expectativas baseadas no que as outras pessoas falam. E, vamos lá, não chego a apontar as expectativas romantizadas de "vou te amar eternamente" ou "quero viver sempre ao seu lado". Falo de esperas mais simples, como: "vamos sair neste sábado" ou "farei um jantar para você". Quando isso não acontece, quando ocorre, sim, um perdido ou uma displicência do que fora combinado, BUM: essa pessoa não tem palavra. Ok, concordo que qualquer imprevisto pode acontecer... mas a existência de uma relação pressupõe a participação de, no mínimo, duas pessoas. Para que isso funcione, nada melhor que diálogo, transparência, atenção. Se não há isso, vamos lá: a pessoa não cumpre com sua palavra, simplesmente; ou, além de não cumprir com sua palavra, ainda acha que a outra pessoa não é digna de qualquer tipo de conversa. É algo que a moral, a mais humanista possível, sabe bem explicar.
E a liberdade de a pessoa falar, omitir-se, ser displicente com ela e com os outros? Bem, a liberdade não é algo que possa ser vista de um prisma linear, exatamente porque há o convívio com outras pessoas. Por essa liberdade, busca-se igualdade (com todas as discussões que envolvem o assunto) e busca-se o mínimo de comprometimento com aquilo que a própria pessoa se propõe a fazer. Se não é capaz de fazer ou não quer, não fale, não se comprometa falaciosamente.
Agora, as projeções criadas por aqueles que idealizam as outras pessoas. Aparentemente, tais pessoas não possuem uma abertura suficiente para se permitir conhecer a outra pessoa; muitas não querem perder tempo, criam a fantasia, se comprometem por algum determinado plano de vida que criou, sozinho, em sua mente, e coloca a outra pessoa no script - e ai se ela não andar conforme o que o monólogo indica.
Diversas discussões originam-se porque não enxergamos a outra pessoa como ela realmente é: queremos que ela se enquadre no que nossa mente produziu com as peças que conhecemos de tal pessoa. E a mente engana porque sempre está sempre nos orientando para aquilo que nos dá mais satisfação: manter-se afastado para não e envolver, criando a figura de uma pessoa ruim; ou manter-se próximo, com a figura de alguém que corresponde a todos os nossos tipos de ideiais.
Muito dizem que vivemos em um mundo em que as pessoas estão vazias. Pode-se até concordar com tal afirmação, mas de forma relativa: as pessoas estão vazias de permissão se conhecerem, de liberdade de amar, de empatia, alteridade - e, sim, serei bem clichê. Mas estão cheias de apontamentos aos outros, de julgamentos, de expectativas que suas próprias frustrações ou necessidades criaram, mas que não conseguem enxergar porque é mais fácil, sempre, culpar o outro.
O que mais ouvimos por aí é "você deve ser assim", "você deveria ter agido de tal forma", "você tem a obrigação de fazer tal coisa". O que menos ouvimos é "faça suas escolhas: mantendo-se consciente, elas te levarão para o melhor lugar par você".
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Senta: lá vem a história
Finados.
Até esse ano, não tinha alguém falecido com que lembrasse com nitidez. Em, 2015, contudo, esse ano de extremos de conquistas e de perdas, lembro vividamente da minha avó, que faleceu no primeiro semestre.
Quando da sua morte/passagem, não percebia o quanto seria atingida por esse acontecimento. Há alguns anos não mantínhamos um contato próximo e nos víamos somente em poucas festividades da família. Mas, o que eu não via e agora sinto com profundidade, era que era ela que unia bravamente nossos familiares.
Além do sentimento de vácuo familiar, envolve-me, desde essa época, um niilismo com que luto diariamente e por conta de tal que me esforço para encontrar sentidos.
Somos tão breves. Somos tão frágeis.
Nessa efemeridade existencial, que, se formos conscientes, veremos nos atacar todos os dias, temos que fazer escolhas. E uma das escolhas mais difíceis que fazemos é o sentido que daremos à nossa vida: qual a cor da nossa vida; qual o seu ritmo; qual a sua direção; por qual objetivo entregaremos nossa existência.
Para pessoas programadas ou que não questionam a ordem e a estrutura das construções que nos são colocadas goela abaixo desde que nascemos, é fácil: segue-se a maré, o fluxo contínuo do rio, a caminhada, entrincheirada, da manada. O sentido é aquele nos nos indicaram; a cor é a que já conhecemos, a do nosso grupo social; o cheiro também é conhecido; bem como os objetivos, geralmente, serão os resignados do "nascer, crescer, trabalhar, reproduzir, morrer", com alguns intervalos de festividades, lazer, reproduções de sentidos aos outros, etc.
Mas, para os que ousam manter-se na pergunta infantil "Por quê?!"... ah, a liberdade é imensa, mas a responsabilidade sobre a sua própria vida também o é. E o fardo disso também. Lá na frente, ao olharmos para trás, não indicaremos nosso dedo a alguém em quem imputarmos nossa suposta direção equivocada; estaremos diante de nós mesmos, fazendo o balanço das opções que tínhamos e das escolhas que fizemos. Será a nossa cara que fitaremos quando nos arrependermos de algo; ou será a nossa expressão de alegria de que nos emocionará ao concluir por boas caminhadas.
A morte nos dá o tapa na cara para nos acordar para a nossa vida. Ela paralisa, faz-nos pensar sobre a nossa própria existência. Como sou feita de questionamentos, essa parada é-me dolorida demais. Envolvida, ainda, pela força do meu ascendente aquariano e abandonando a tradição canceriana (n]ao que acredite, mas vai que...), a decisão de qual fluxo injetar toda essa energia é demorada - demanda várias opções, possibilidades, variáveis, hipóteses, fatores...
Mas, apesar da dúvida do que se quer exatamente como sentido da vida, tem-se a certeza do que não se quer como tal. Não se quer palavras vazias, promessas não cumpridas, expectativas em cima de pessoas que não cumprem o que falam ou que são adormecidas para sua própria existência.
Nesse período, convivi como nunca. Aproximei-me de várias pessoas, com o intuito de compartilhar momentos e conhecer o seu sentido da vida. Não cabe a mim julgá-las pelas suas escolhas de vida, mas sei examiná-las no que se refere a minha pessoa.
Ouvi sobre muitos planos, conheci muitos projetos de vida e fui envolvida em muitos deles. Contudo - não sei se é porque estou vivendo demais e meu ritmo está bem acelerado -, as coisas demoraram demais para acontecer, ou não aconteceram.
Muitas pessoas fazem a sua realidade, criam e recriam a sua vida. Outras, somente têm planos - e só.
Disso, tem-se uma certeza que já faz diferença: o sentido macro da vida é a sua própria realização e seu compartilhamento. A sombra e a nebulosidade de projetos de vida não satisfazem ninguém - só alertam para o fato de que a vida passa rápido demais para ficar ao lado de pessoas que não fazem acontecer.
E é aí que eu olho para meu espelho e pergunto: o que EU estou fazendo acontecer?
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Para você, que lerá isso
Na nossa liberdade, me encontrei com a tua identidade
No teu mundinho que geral não entende,
Minha essência tem um ninho, onde dança e sente
que nada disso pode ou deve ser em vão
E, com a livre razão, me tem essa inspiração
De sorrisos, risos e impulsos
Por todos esses fragmentos, que, juntos, me dão visão desse teu mundo
Que me é comum, que me é íntimo
E que me oferece muito mais que um símbolo:
Me dá sentido, me dá profundidade
E uma esperança nessa dura e rasa realidade.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Para você, que nunca lerá isso [2]
Eu saí de mim
Cheguei a ti e me perdi
Passei a me ver com seus olhos
Os quais, focados, não olharam nem para o lado
Fiz dança, cores, desenhei sabores e suei em teu corpo
Mas nada te desfez da inércia
Parecia criança que quer chamar atenção
Daqueles que estão ao redor, no cotidiano turbilhão
Desfaleci na tua casa
Não dormi direito na tua cama
Precisava me recuperar
Me integrar
Me tornar novamente aquelo que eu queria que você visse
Nesse caminho, tornei-me o que não era
Me perdi sozinha, à espera
Largando-me para ser salva por você
Mas minha expectativa de ti
Gigante demais
Destoa a tua existência
Não que seja melhor
Nem que seja menor
Mas que seja sem a minha essência
Percebi que procurei em ti o que via em mim
E, ainda, me livrando dessa projeção
Entendo o quanto, aqui, há desejo do porvir
Para você, que nunca lerá isso
Era tanta vontade de se amar
De se entregar
De se vincular
Que tudo se perdeu no receio de tentar
No sonho do altar
Na ânsia do estar
No meu cio, o vulcão tornou-se um rio
Que, de quente e envolvente
Findou-se calmo e frio
Das possibilidades múltiplas, restam as esperanças estúpidas
E as memórias dessa insensatez, que, de vez, tornaram-se absurdas
De se entregar
De se vincular
Que tudo se perdeu no receio de tentar
No sonho do altar
Na ânsia do estar
No meu cio, o vulcão tornou-se um rio
Que, de quente e envolvente
Findou-se calmo e frio
Das possibilidades múltiplas, restam as esperanças estúpidas
E as memórias dessa insensatez, que, de vez, tornaram-se absurdas
sexta-feira, 4 de julho de 2014
welcome, babe
O processo que sofri para poder escrever uma tese foi devastador, em sentido positivo e, lógico, negativo.
O primeiro passo foi a compreensão de que, por um tempo ainda não certo (somente previsto), seria necessário se afastar das pessoas (i) para ter mais tempo para escrever e (ii) para não machucá-las em eventual crise de identidade ou ansiedade (enumerar itens é uma das manias adquiridas). Esse afastamento que, com certeza, acarreta um isolamento total, é a base fundamental para alcançar o fundo do poço inexorável para que você só precise de você. Aí está a condição emocional que fora imprescindível para mim.
Nesse fundo, a única pessoa que eu tinha mais por perto era eu mesma, e, como fazia tempo que eu não me via de perto (estava apegada a outras coisas), passei a questionar muito das razões e dos impulsos que me levaram a tal caminho. Foi uma briga um tanto quanto desleal: meu cérebro sabe ser muito ruidoso e ruinoso quando quer apontar erros e enganos. Mas, dessa batalha, sobrevivi com a única certeza de que o que eu estava fazendo era a única coisa que eu deveria estar fazendo naquele momento. Conclui que tudo o que eu fiz e todo o universo colaborou para aquele momento. Ali, então, pode-se passar ao segundo passo.
O segundo momento é acreditar em si mesmo. Com todo isolamento emocional, não haverá vozes externas o suficiente que lhe digam que você pode fazer algo: será você mesmo que terá que fazer isso. E, é engraçado, porque você precisa fazer isso depois de uma batalha algoz e, ainda, ciente de seus defeitos (sim, a condição para tudo isso é estar consciente o mínimo de si), acima de suas qualidades. Não é algo fácil. Uma nova retrospectiva de suas vontades e conquistas se faz urgente para que você consiga escrever uma linha e articular um argumento - é esse resgate de você mesmo que te fará acreditar em si mesmo.
Isso independentemente se o seu passado foi bom ou ruim: a indicação de tais juízos é feito de modo subjetivo; assim, caso você perceba que seu passado foi ruim, a primeiro momento, será necessário se esforçar mais um pouco para mudar o prisma e extrair, dele, experiências positivas. Para que faz isso cotidianamente, nesse momento será crucial.
Para um terceiro momento, vem a persistência e a resistência. Pessoas externas (todas as pessoas além de você) poderão tentar interferir no seu processo de isolamento - o importante é não deixar o trabalho atrasar. Se isso acontecer, será preciso enxergar que a responsabilidade era sua e que a pessoa não é culpada. Caso tal percepção não aconteça, prepare-se para perder alguém querido, pois seu ímpeto de proteção à tese será enorme.
Ainda, será preciso força e condicionamento rigorosos para você ter a disciplina de focar em seu trabalho. Não que tenha um horário certo (o que seria o ideal), mas que estude com frequência diária e por horas ininterruptas - a continuidade do pensamento é muito importante nesse período. Particularmente, aprendi a conhecer energéticos (das mais diversas marcas, o que foi uma pesquisa experimental em paralelo, com foco nos efeitos de cada marca em meu organismo) e alguns deles me auxiliaram na persistência de continuidade por horas em cima do trabalho.
Agora, vejo que é possível que eu tenha me arriscado demais nesse processo, com tanto isolamento e ingestão de energético. Por quê? Porque alguns energéticos, pelo menos em meu organismo, não acostumado a nenhuma substância que produza grandes efeitos com tais, tendenciou-me a muitas coisas que, talvez sem o energético, eu não faria. Não sei; não vou usar a velha desculpa do "foi a bebida", mas é algo com que eu tenho que pensar. Não só o energético, mas, quem sabe, a sua mescla com o isolamento. Para quem é sociável quando quer, a obrigação de se fechar totalmente pode ser desastrosa.
Seguindo isso, foi inevitável a conclusão da tese. Com muitos choros (especialmente no momento de redigir a dedicatória), lamentos e, principalmente, alegria. Já chorava ao pensar no momento em que iria conclui-la, chorei quando a vi sendo impressa no xerox. Apesar de eu estar no estado puerperal, como diz o meu orientador, a revisei até o último minuto e estou muito satisfeita pelo que fiz - lógico que o resultado da banca é outro assunto, mas, por ora, está ótimo.
Se eu pudesse me abraçar, cara... :D
E agora, na noite em que eu poderia mais dormir após a tese, eu me vejo com insônia. Antes, sonhei muito e despertei num susto, como se tivesse alguém me acordando. Eu acho que era eu mesma, me acordando de toda essa fase e de todo esse isolamento.
Passaram-se meses de clausura emocional e intelectual. Permiti-me sentir poucas coisas nesse período, assim como estudei poucos temas além do tese - somente o essencial para conseguir honrar minhas obrigações de trabalho. Só.
Nesse isolamento, nem senti o tempo passar - perdia-me fácil nos dias da semana, nas horas do dia, nos meses. Chegava a dormir horas à tarde (quando podia) para escrever à noite. Não tinha sábado, nem domingo. Só tinha dia de tese e cerca de 4 a 5 horas dedicadas a ela.
Roupa suja no cesto, que eram lavadas somente uma vez por semana; pilha de roupa a passar por meses; casa mais ou menos limpa; almoços com a frequência de um prato em específico, com poucas variações. Nos últimos dias, deixei de lado a atividade física e a preocupação em tirar a maquiagem no final do dia. Isso foi sério.
Hoje eu acordo, então, e vejo toda essa realidade que me é um tanto quanto estranha, pois parece que ainda estou no início do ano - como se eu não tivesse sentido realmente tudo isso que aconteceu (mas sei exatamente e bem próximo o quanto doeu)- , mas que também é bem conhecida: não posso voltar atrás, pois, agora, o caminho é só para frente - especialmente porque a gratidão de ter chegado nesse ponto supera qualquer dor, perda ou isolamento.
Esse ponto é o ponto de contato consigo mesmo, de um reencontro com a única pessoa que não pode te abandonar e com a única que, nas crises, você deve ter certeza que pode contar: você mesma.
Assim, seja bem-vinda novamente, minha querida.
O primeiro passo foi a compreensão de que, por um tempo ainda não certo (somente previsto), seria necessário se afastar das pessoas (i) para ter mais tempo para escrever e (ii) para não machucá-las em eventual crise de identidade ou ansiedade (enumerar itens é uma das manias adquiridas). Esse afastamento que, com certeza, acarreta um isolamento total, é a base fundamental para alcançar o fundo do poço inexorável para que você só precise de você. Aí está a condição emocional que fora imprescindível para mim.
Nesse fundo, a única pessoa que eu tinha mais por perto era eu mesma, e, como fazia tempo que eu não me via de perto (estava apegada a outras coisas), passei a questionar muito das razões e dos impulsos que me levaram a tal caminho. Foi uma briga um tanto quanto desleal: meu cérebro sabe ser muito ruidoso e ruinoso quando quer apontar erros e enganos. Mas, dessa batalha, sobrevivi com a única certeza de que o que eu estava fazendo era a única coisa que eu deveria estar fazendo naquele momento. Conclui que tudo o que eu fiz e todo o universo colaborou para aquele momento. Ali, então, pode-se passar ao segundo passo.
O segundo momento é acreditar em si mesmo. Com todo isolamento emocional, não haverá vozes externas o suficiente que lhe digam que você pode fazer algo: será você mesmo que terá que fazer isso. E, é engraçado, porque você precisa fazer isso depois de uma batalha algoz e, ainda, ciente de seus defeitos (sim, a condição para tudo isso é estar consciente o mínimo de si), acima de suas qualidades. Não é algo fácil. Uma nova retrospectiva de suas vontades e conquistas se faz urgente para que você consiga escrever uma linha e articular um argumento - é esse resgate de você mesmo que te fará acreditar em si mesmo.
Isso independentemente se o seu passado foi bom ou ruim: a indicação de tais juízos é feito de modo subjetivo; assim, caso você perceba que seu passado foi ruim, a primeiro momento, será necessário se esforçar mais um pouco para mudar o prisma e extrair, dele, experiências positivas. Para que faz isso cotidianamente, nesse momento será crucial.
Para um terceiro momento, vem a persistência e a resistência. Pessoas externas (todas as pessoas além de você) poderão tentar interferir no seu processo de isolamento - o importante é não deixar o trabalho atrasar. Se isso acontecer, será preciso enxergar que a responsabilidade era sua e que a pessoa não é culpada. Caso tal percepção não aconteça, prepare-se para perder alguém querido, pois seu ímpeto de proteção à tese será enorme.
Ainda, será preciso força e condicionamento rigorosos para você ter a disciplina de focar em seu trabalho. Não que tenha um horário certo (o que seria o ideal), mas que estude com frequência diária e por horas ininterruptas - a continuidade do pensamento é muito importante nesse período. Particularmente, aprendi a conhecer energéticos (das mais diversas marcas, o que foi uma pesquisa experimental em paralelo, com foco nos efeitos de cada marca em meu organismo) e alguns deles me auxiliaram na persistência de continuidade por horas em cima do trabalho.
Agora, vejo que é possível que eu tenha me arriscado demais nesse processo, com tanto isolamento e ingestão de energético. Por quê? Porque alguns energéticos, pelo menos em meu organismo, não acostumado a nenhuma substância que produza grandes efeitos com tais, tendenciou-me a muitas coisas que, talvez sem o energético, eu não faria. Não sei; não vou usar a velha desculpa do "foi a bebida", mas é algo com que eu tenho que pensar. Não só o energético, mas, quem sabe, a sua mescla com o isolamento. Para quem é sociável quando quer, a obrigação de se fechar totalmente pode ser desastrosa.
Seguindo isso, foi inevitável a conclusão da tese. Com muitos choros (especialmente no momento de redigir a dedicatória), lamentos e, principalmente, alegria. Já chorava ao pensar no momento em que iria conclui-la, chorei quando a vi sendo impressa no xerox. Apesar de eu estar no estado puerperal, como diz o meu orientador, a revisei até o último minuto e estou muito satisfeita pelo que fiz - lógico que o resultado da banca é outro assunto, mas, por ora, está ótimo.
Se eu pudesse me abraçar, cara... :D
E agora, na noite em que eu poderia mais dormir após a tese, eu me vejo com insônia. Antes, sonhei muito e despertei num susto, como se tivesse alguém me acordando. Eu acho que era eu mesma, me acordando de toda essa fase e de todo esse isolamento.
Passaram-se meses de clausura emocional e intelectual. Permiti-me sentir poucas coisas nesse período, assim como estudei poucos temas além do tese - somente o essencial para conseguir honrar minhas obrigações de trabalho. Só.
Nesse isolamento, nem senti o tempo passar - perdia-me fácil nos dias da semana, nas horas do dia, nos meses. Chegava a dormir horas à tarde (quando podia) para escrever à noite. Não tinha sábado, nem domingo. Só tinha dia de tese e cerca de 4 a 5 horas dedicadas a ela.
Roupa suja no cesto, que eram lavadas somente uma vez por semana; pilha de roupa a passar por meses; casa mais ou menos limpa; almoços com a frequência de um prato em específico, com poucas variações. Nos últimos dias, deixei de lado a atividade física e a preocupação em tirar a maquiagem no final do dia. Isso foi sério.
Hoje eu acordo, então, e vejo toda essa realidade que me é um tanto quanto estranha, pois parece que ainda estou no início do ano - como se eu não tivesse sentido realmente tudo isso que aconteceu (mas sei exatamente e bem próximo o quanto doeu)- , mas que também é bem conhecida: não posso voltar atrás, pois, agora, o caminho é só para frente - especialmente porque a gratidão de ter chegado nesse ponto supera qualquer dor, perda ou isolamento.
Esse ponto é o ponto de contato consigo mesmo, de um reencontro com a única pessoa que não pode te abandonar e com a única que, nas crises, você deve ter certeza que pode contar: você mesma.
Assim, seja bem-vinda novamente, minha querida.
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