terça-feira, 14 de novembro de 2017

Noites em claro, a fim de me envolver

Mais histórias para nós duas, e nosso amor é livre
E vai proteger do que for, e vai me proteger de quem sou

13-14/11
Ainda não sei definir.

É uma ausência de... competição. É livre. É liberdade. Parece sincero - sinto sincero.
É forte; despertou minha Lilith.
Ou minha Lilith que te chamou.
EU clamei por ela, clamei por me mostrar, por me desvendar, por me integrar.
Ela matou a minha criança e me fez me ver em uma relação de igual para igual. Cara.
Sem o peso de padrões. Sem o peso de enquadramento, de scripts, de nada. Só admiração, vontade de conversar, de ficar junto, de brincar, de incentivar, de ver a outra evoluindo, vencendo, crescendo.

Hoje eu nasci mulher, uma mulher livre. Fui parida diante de tantas situações tortuosas, maléficas, tóxicas; mas frente a uma postura de exigência de "chega", "não quero mais migalhas".

E você veio. Modo direto. É isso mesmo. Quero. Vamos. Não acredito. Você é linda.
Transformou meu dia. Transformou minha fase - mudou a fase de aprisionamento.

Você representa a concretização da minha liberdade em Lilith, a que eu pedi antes de dormir.
Meu sangue conspirou por ela. E ela veio, me mostrando uma plenitude maior de mim.
Que isso não seja um peso para você. Que isso seja um agradecimento, sem obrigações.
Leve, assim como você; assim como nós.

Um agradecimento pelos sorrisos, pelas lágrimas de alegria, pelas expansões de consciência.
Sua existência me proporcionou tudo isso. Obrigada.

Interlúdio

Início de outubro. Dores, como cólica. Não, dor, não: uma pressão constante e instigante no útero.
Nunca havia sentido dor em relação sexual heteroafetiva, exceto por duas vezes, de forma bem estranha, como num susto.

Procurou algo na internet que indicasse o que tinha, tentando não se apavorar muito. Encontrou um nome, o mais provável, que uma amiga tem. Marcou médico. Esperou angustiada por duas semanas.

No exame clínico, logo no início, sangrou. Se apavorou, mesmo o médico dizendo que era algo pequeno, logo na entrada do útero. Ela pensou no não julgamento, em como suas células se modificam e se multiplicam sem bem ou mal; apenas vivem e cumprem sua função a partir de determinados contextos, descobertos ou não pela medicina.

Tentou se acalmar. Na profundidade do exame, o médico informou que o útero está, no toque, bem saudável, assim como o canal vaginal. Tudo certo - aparentemente. São necessários mais exames, laboratoriais, sangue, urina, ultrassom. cerca um mês de espera até a próxima consulta.

Ela sente sempre, muito. Sentiu aqueles momentos como uma troca de vida. Sua vida mudou. Suas perspectivas sobre quase tudo - não sabe ao certo - mudaram. Ela sabia da possibilidade da gravidade daquela doença - e se fez a frente com a possibilidade de morte, tão escondida no nosso dia-a-dia.

Um dia, sim, hoje, amanhã, daqui 20 anos, ela irá morrer - e poderia ser por aquela doença que pode ter sido originada dos anticoncepcionais que toma há mais de 15 anos - drogas que servem para domesticar a mulher e impedir a sua vida cíclica.

Chorou a ausência de liberdade de escolha - não da sua vida, mas de uma futura vida. Talvez não possa gerar. E isso, em si, não lhe fez mal; o que a impactou foi a possibilidade de não poder escolher. Logo ela, a liberdade.

E lamentou, mais ainda, por incrível que pareça, além da dor que lhe acompanhou por mais dias, a impossibilidade de se relacionar de forma íntima com homens. Estava solteira e nada lhe impedia de nada nesse sentido, até aquele dia, em que ela mesma a obstava. E isso a fez sofrer demais, sentiu-se sozinha, isolada, fora de qualquer contexto social-afetivo.

E, assim, parou para se observar e entendeu que, até aquele dia, a maioria (ou quase todos) dos seus relacionamentos era uma justificativa para o sexo. Só. Havia, claro, toda parceria, companheirismo, acordos... mas, de fato, o que a mantinha em um relacionamento era um bom sexo. Isso a chocou, mas a libertou.

A partir de então, por tantos que falavam que ela era exigente, passou a ser mais, bem mais. Ela aperfeiçoou o seu faro para sacar carência masculina e, lógico, fazia o jogo... por sexo, quando valia a pena - e, claro, pelo contexto todo que envolvia e justificava o sexo.

E, de um segundo para outro, cortou a maioria das relações que mantinha virtual e pessoalmente. Viu-se, de novo, sozinha, mas mais em si, um tanto quanto mais forte, mas certa do que merece, de acordo com o que pode oferecer. E continua não preocupada com bens materiais, mas com o toque na alma.

Nessa fortaleza, ainda capenga, forçava para se manter longe, de forma involuntária, da família, lidando com pessoas que não priorizam amizades, enfrentando instabilidades institucionais e vampiros que aproveitam a situação para sugar mais energia e monstros, para cindir aquilo que já está incerto.

Quis mais de si. E, por destino, encontrou, escondido, o livro de Lilith. O Livro de Lilith, lido em menos de 24h. Lilith, o lado sombrio da mulher, que mata crianças, que aborta, que é infértil, que é rebelde, que é isolada, que é solitária, que é excluída. Era ela.

efeito sombra

O que havia entre eles não ia bem, pelo menos para ela, porque ele parecia sempre no além
Isso era engraçado, porque, desde o início, ele que era o apaixonado.
Mas enfim, ela decidiu conversar e, quem sabe, evitar qualquer  fim

Naquele dia, sentaram na cama e ela puxou: como podemos melhorar?
Mal sabia que, de uma intenção de melhora, passaria por uma das mais tensas situações de sua história

Papo vai, papo vem, ela percebeu o gestual infantilizado:
Fecha a cara, cruza os braços, torce a boca, fala irritado
“Para que agir assim, mal-humorado? Ninguém aqui tá te ofendendo ou te fazendo de palhaço!!”

A questão é que, naquele momento, ela cometeu o seu “erro”: apontou o seu dedo
Ele, com um olhar que misturava raiva e frieza, bateu na sua mão e disse – curiosamente apontando o dedo: baixa essa mão e fala baixo, aqui ngm fica em cima ou embaixo.
Ela, indignada, respondeu, em tom alto: quem é você para falar desse jeito comigo, como se fosse um inimigo
Ele, com raiva, bravou com o dedo: SHIU, fala baixo; tem gente dormindo do lado.

Shiu!? Ela pensou
Shiu?!
Mano!! Eu vou embora (primeira vez quedisso  ela fala)
Ao tentar se levantar, ele a puxou, prendendo com força os seus braços, mas não adiantou
Ela fez força, bateu na cadeira, se machucou e olhou, indignada, para aquele cara que ela não conhecia como imaginava

Olha o que cê tá fazendo!?  De onde veio tudo isso?? Tá me forçando a ficar, tirando minha vontade a força, é isso? (segunda vez)
E aí, ela comete seu segundo “erro”, inadvertidamente: estava de pé, enquanto ele sentado, parecia ferver a sua mente

Senta aqui e tu vai conversar, bravou ele com raiva, não aceitando o fato de que, fisicamente, ela pudesse mais alta que ele ficar
Ela não entendeu, se negou, “vou embora” (terceira vez), e catou suas coisas espalhadas pelo quarto afora
Ele, bem mais alto que ela, se levantou na fúria, apontou o dedo sua cara e disse: tu vai sentar agora e aqui e a gente vai conversar, sem mimimi

Ráá... Ali ela vestiu a risada, debochada, pois o que lhe dá medo?! NADA
porque a vida a forjou de um jeito que nada mais lhe tira do eixo

Ela riu e disse, pela quarta vez, que ia sair dali, mesmo ele impedindo a sua passagem até a porta e mandando, DE NOVO, ela sentar para conversar

Ela não acreditava, tava abismada, porque aquele cara nunca tinha te mostrado nada:
- em homem você não faz isso, né?
E ele respondeu - eu faço sim
E daí ela lembrou de uma vez que ele agrediu um amigo e nem desculpa conseguiu pedir

Ela viu a violência nele, enquanto perguntava que o que ele tava fazendo – usando a autoridade do seu corpo pra impedir ela saísse do quarto naquele momento

- Isso é machismo! Onde tava guardado tudo isso?
- Machismo está la fora – entre nós, isso não existe
- vocês não querem igualdade? Dedo na cara dos outros é o que? Liberdade?
Aí ela viu a merda, aí ela viu o problema, aí ela parou de pensar nela: e pensou na gama de mulheres que é seu emblema

Conseguiu sair do quarto, descer as escadas. Casa toda trancada, grade até o telhado – é por lá que eu passo, se for necessário.

Ela ouviu o chinelo dele se aproximando, a cara dele debochando e dizendo: se acalma, senta, a gente vai conversar
Não, vou embora – abre a merda dessa grade – se for preciso, eu berro mais alto até todo mundo ouvir esse alarde

Ele ainda, imperativamente, mandou várias vezes ela se sentar, com a chave na mão a brincar
Até que ela perguntou:
qual o problema de eu estar em pé e você sentado?
Porque vc fica superior a mim e eu não sou seu empregado
Ela, espantada:
Pera, o problema é eu ser superior a vc, fisicamente?!
Ele respondeu positiviamente
Ela, curiosa, perguntou: e na vida, na carreira, dependendo do prisma, estou acima de sua caveira
Mas isso não importava, porque o que mais o angustiava era que na única forma em que ele por cima estava era quando, de cima abaixo, ele a olhava

Ela disse: não posso conversar porque estou irritada, vou embora, eu to tremendo, abre a porta.
Mas ele não a ouvia, ria e se aproximava

E ela continuava:
“Não estou mais aqui em mim”, “estou em todas as mulheres que essa merda enfrentaram”
E gritou:
Tu nunca mais vai me ver
E bravejou:
Se eu souber que tu fez merda para alguma mulher, tu tá perdido
E especificou:
Se eu souber que tu fez merda para alguma aluna minha, tu tá fodido

E ele veio calmo e sarcástico dizendo:
“Tu não sabe como tais me ofendendo”
Ué, ela disse, mas eu nunca te fiz nem te disse nada de ruim
E ele: “e quando vc me deu de dedo na cara e ficou superior a mim?”

Ali ela viu o poço e entendeu que tudo que ele interpretava era desgosto
Confundiu “estar em pé para ir embora” com “superioridade”
Confundiu respeito com pé nojento de igualdade
Ele quis se manter por cima dando de dedo na cara da inimiga, usando sua altura como arma de psicologia

E ele veio de novo, dando de dedo
Ela caminhava para trás, ele vinha  pra cima, querendo meter medo

Ela queria empurrar, ela queria bater
E bateu: um tapa no peito que foi nela que mais doeu

Ele olhou para o lugar do tapa, riu, olhou para ela e perquiriu:
Então quer dizer que mulher pode bater em homem e homem não pode bater em mulher?

Aqui preferi não rimar pra vocês degustarem o quanto isso é um desumanizar

Aí ela gritou e berrou mais alto
Machista, seu bosta
Abre logo essa porta

Nesse contexto, de uma república com 5 caras, ngm apareceu
Nem a guria que estava com um deles, a que eles chamaram de dama
Que, no jargão popular é a mulher que faz programa.

Até que ele, debochado, devagar e acalmado, abriu a porta:
- Isso é agressão, sabia, esperta?
E ela:
- Então vai na delegacia e faz um BO, seu merda

Ela não chorou, ficou na raiva, saiu batendo portão, enfurecida
Bloqueou contatos, saiu pela rua, sem saída, perdida
Ligou para uma amiga

Quem a acolheu foi a Marília, do artigo de Violências que na semana passada a gente leu
E o que vocês n]ao sabem é que essa guria era eu.


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Marc #1

Chorei
Pela unidade, mesmo que momentânea, encontrada
Pelas força das serpentes percorrentes dos plexos
Pela energia clárida e rica envolvendo aquele movimento
Por aquele colo único, seguro e pleno.

Chorei, feliz.
Chorei, santificada.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Quando disse que não dava mais
Ele falou que entendia: "a culpa é minha"
E que ele nunca se perdoaria

Quando falei que ele não me conhecia
ele me disse que bastava aquilo que em mim via

Quando disse que ele era uma pessoa boa
Ele disse que deveria ser por ter me conhecido
Por ter estado, o tempo que fosse, na presença de uma magia
Que ele não sabia que existia, e nem imaginava que fosse digno daquilo

Quando falei de um outro alguém
ele me disse que mulher como eu não se encontra em qualquer esquina
"mulher assim, meu deus, é para toda a vida"

Sufoco

Hoje meu sufoco é saudade
Saudade daquela raiz que arranquei para conseguir me fincar em outras terras
Saudade daqueles passeios planos, vendo a chuva chegando, sentindo o cheio do mato molhando

Esse sufoco esmaga os olhos até que eles chorem
Esse sufoco te força a sair da casca de fortaleza e se encolher na fraqueza da... saudade.

Novo chão, novas pessoas, conflitos que não são os teus e, portanto, indiferentes. Com o enxerto das raízes, uma nova vida. Uma vida enxertada, mas que não esquece aquela essência forjada.

Aqui, conheço resultados e efeitos. Lá, reconheço o dever pela existência, pela sobrevivência.

Aqui, local de partilha; lá, local de plantio, chão, segurança. De cara no chão, lutando para se erguer.

Hoje, a cara é no chão, mas daquele cheiro, daquele tempo, daquelas pessoas, daquele eu que, mesmo que não soubesse, já era tão... eu.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Rose

Talvez eu não tenha dito como eu amo
Eu amo de forma simples, sem grandes mistérios
É um sentir, é um pequeno fazer, é uma dedicação de tempo
É a preocupação da manhã, é o beijo do almoço
É o boa noite da noite, é a visualização da madrugada.
Eu amo livre, sem imposição, sem obrigação
Até mesmo porque esse amor dá mais do que qualquer combinação

Talvez eu não tenha dito como eu vivo
Eu vivo livre - até onde sei
Sem esperar julgamento de ninguém
Sem julgar nenhuma pessoa também
Eu vivo inquestionavelmente questionando minhas ações, meus sentimentos, minha própria existência
Às vezes, fico em crise porque questionar suas próprias razões, constantemente, não é algo fácil
Mas, prefiro viver assim a crer que tudo é certo como eu acredito que, agora, seja
Me renovo, busco me melhorar, me inovo
Nada fica parado, exceto a essência de questionar

Talvez não tenha lhe mostrado a minha essência
A essência da liberdade e da inquietação
Que convive pacificamente com a essência da estabilidade e da rotina
É o complexo explicado por este meu caos
É a perfeita junção do que eu fui, como câncer, e do que eu sou, como aquário

Amo estar livre para conseguir amar da maneira mais intensa e mais profunda que minha essência alcançar
Amo poder contar, mesmo que na ilusão da confiança, com a estabilidade da rotina e das pessoas que estão na minha vida

Talvez eu não tenha te falado como eu vou embora, magoada
E como eu sou livre para voltar e começar uma nova caminhada
Talvez eu não tenha te explicado - ou deixado claro
Como o mundo é meu conforto e eu transito por ele com facilidade
Estando ou não perto de todos

Talvez eu não tenha explicado o quanto meu silêncio, estando ao seu lado, representa mais que um discurso de horas e juras de compromisso
Talvez eu não tenha explicado o valor da minha casa, a importância das minhas noites e o tesouro da minha comida
Talvez eu não tenha explicado o que isso vale em uma relação e o quanto isso me é dedicação
O quanto isso é compromisso, o quanto isso é "conte comigo"
Talvez eu não tenha explicado que me afasto, mas eu volto
Que eu me calo, mas eu falo
Que eu me machuco, bem fácil
E que, nessa complexidade caótica, é de quem me machuca que eu espero um colo.

Não sei não ser simples, não ser a vida tranquila, a rotina livre e em paz.

Ou, ainda, talvez, não seja nada disso o que buscavas
Talvez precisasse de mais palavras
Ou ansiavas por joguinhos e algumas emboscadas.
Talvez o amor te signifique juras diárias, conquistas ilimitadas
Sacrifícios e dedicações sem pensar em mais nada.

Não sei. Mas, o que sinto é que aparentemente não fui lida
O que eu dei era leve demais
O que eu dei era simples demais.

Talvez eu, ainda, não tivesse dito que eu estava contigo, me preocupando
Podendo ser o ombro amigo, o carinho no umbigo
Podendo ser um instrumento de incentivo.
Tentei, mas acho que não fui.

Ademais, talvez por fim, eu não tenha dito que te vi como um verdadeiro amigo
Como um homem, como um abrigo, como um parceiro para todos os motivos
Ah! E os limites eram atemporais e não-espaciais. Sempre e para sempre.

Duas coisas posso dizer, agora - porque não tenho palavras para isso
é que algo grande havia; não há mais.