ando vivendo de adeus
de rompimentos
rasgos
talvez a permanência seja mais um projeto ilusório que aprisiona vidas e afetos
que gera expectativas que moem
que frustra, todo dia
é o que há
segunda-feira, 22 de julho de 2019
quarta-feira, 17 de julho de 2019
ele te olhou
te desejou pela tua inteligência
teve receio do teu desprendimento
se desligou do desejo, deixou as coisas acontecerem, mesmo sabendo que as coisas, elas, somos nós que fazemos
tempo passou
ele tava vencendo o desamor de outra pessoa
que se fazia de ocupado para não olhar seus sentimentos, para nem de dizer com saudade
Sem prioridade, sem condição
Muita enrolação para... migalha.
Ele te quis novamente
Não sabe a razão, mas quis
Perto, naquele papo, no mínimo
Aquele de horas, que se repetiu quando vocês se viram no domingo último
Horas de conversa, de risos, de olhares, de cama, de sono
Parecia como o desamor
Mas se faz diferente
O amor seu é... amor
Amor pela vida
Não é apego
Não é dominação
É amor pelo toque do momento
Pelo olhar de penetração
Pelo cheiro e pela mexida na sobrancelha
A conexão.
Você fez a conexão, por vc a ele
E ele a vc
E ele quer mais do que ele não sabe, mas quer
Mais do cheiro na cama e na casa
Mais do gosto e da dormência
Mais do toque, do sono, do dengo, do seu ronco
Ele quer. Mais.
Disso que ele lê como amor
Amor, sim, mas não o idealizado
Mas o concreto, pela vida em si
Por se sentir vivo
E envolvido
E te esperando
Mas talvez seja peso demais
Mesmo que esse amor seja, da parte dele, no dia
Ou quando estão juntos
É fugaz, mas essencial
É necessário
E ele quer mais.
te desejou pela tua inteligência
teve receio do teu desprendimento
se desligou do desejo, deixou as coisas acontecerem, mesmo sabendo que as coisas, elas, somos nós que fazemos
tempo passou
ele tava vencendo o desamor de outra pessoa
que se fazia de ocupado para não olhar seus sentimentos, para nem de dizer com saudade
Sem prioridade, sem condição
Muita enrolação para... migalha.
Ele te quis novamente
Não sabe a razão, mas quis
Perto, naquele papo, no mínimo
Aquele de horas, que se repetiu quando vocês se viram no domingo último
Horas de conversa, de risos, de olhares, de cama, de sono
Parecia como o desamor
Mas se faz diferente
O amor seu é... amor
Amor pela vida
Não é apego
Não é dominação
É amor pelo toque do momento
Pelo olhar de penetração
Pelo cheiro e pela mexida na sobrancelha
A conexão.
Você fez a conexão, por vc a ele
E ele a vc
E ele quer mais do que ele não sabe, mas quer
Mais do cheiro na cama e na casa
Mais do gosto e da dormência
Mais do toque, do sono, do dengo, do seu ronco
Ele quer. Mais.
Disso que ele lê como amor
Amor, sim, mas não o idealizado
Mas o concreto, pela vida em si
Por se sentir vivo
E envolvido
E te esperando
Mas talvez seja peso demais
Mesmo que esse amor seja, da parte dele, no dia
Ou quando estão juntos
É fugaz, mas essencial
É necessário
E ele quer mais.
terça-feira, 25 de junho de 2019
das violências
Noite
Temperatura boa
Fone no pescoço para ouvir eventuais passos
Seriedade
Olhos abaixados e desviados para não chamar olhares
Boca fechada, prensada
Dispersão
Olho ao lado da outra rua e sorrio com a música
Um olhar encontra minhas pernas
Ele anda paralelo a esse caminho, olhando
Olhar de violência, de redução
Meus olhos não significam nada, mas meu corpo, sim
É uma categoria de possibilidades para uma masculinidade doentia
Que tem MEDO das mulheres
Que aprender a odiar o feminino desde cedo
Que tem medo de si, de sua afetividade
Que odeia sua insegurança, sua vulnerabilidade
E que, talvez, sei lá, uma forma de matar seu feminino é submeter quem o represente
Não importa
Importa em olhar para baixo
Baixar a música do fone
Procurar, nas ruas, caminhos seguros
Seja com luz para aparecer
Seja escuro, para se esconder
Sempre depende
Pimenta
Spray
Não tem, não pode, ilegal
Mas e esse olhar que violenta
Um corpo que se tensiona, que se esconde, que se protege
De um olhar?
Um corpo que tenta viver em toda a sua complexidade de potência
Mas é reduzido na relação
Mas é limitado pelo outro
O outro insiste em se fazer sujeito
Esse outro que insiste em reduzir o corpo em objeto
Um objeto que satisfaz aquilo que crê ser homem,
[mas é violência.
Temperatura boa
Fone no pescoço para ouvir eventuais passos
Seriedade
Olhos abaixados e desviados para não chamar olhares
Boca fechada, prensada
Dispersão
Olho ao lado da outra rua e sorrio com a música
Um olhar encontra minhas pernas
Ele anda paralelo a esse caminho, olhando
Olhar de violência, de redução
Meus olhos não significam nada, mas meu corpo, sim
É uma categoria de possibilidades para uma masculinidade doentia
Que tem MEDO das mulheres
Que aprender a odiar o feminino desde cedo
Que tem medo de si, de sua afetividade
Que odeia sua insegurança, sua vulnerabilidade
E que, talvez, sei lá, uma forma de matar seu feminino é submeter quem o represente
Não importa
Importa em olhar para baixo
Baixar a música do fone
Procurar, nas ruas, caminhos seguros
Seja com luz para aparecer
Seja escuro, para se esconder
Sempre depende
Pimenta
Spray
Não tem, não pode, ilegal
Mas e esse olhar que violenta
Um corpo que se tensiona, que se esconde, que se protege
De um olhar?
Um corpo que tenta viver em toda a sua complexidade de potência
Mas é reduzido na relação
Mas é limitado pelo outro
O outro insiste em se fazer sujeito
Esse outro que insiste em reduzir o corpo em objeto
Um objeto que satisfaz aquilo que crê ser homem,
[mas é violência.
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Dos escritos conectados
A respiração é presa
Pressiono os olhos fechados
Puxo o ar com força
Exprimo uma voz rara
O tempo para.
Endurecendo a cada momento
- para não ter nada a perder
e conseguir seguir.
[Respira]
Sensível cada vez mais
- para não deixar de sangrar
para não abandonar esse sentir
[T(r)oca; abraça]
Pressiono os olhos fechados
Puxo o ar com força
Exprimo uma voz rara
O tempo para.
Endurecendo a cada momento
- para não ter nada a perder
e conseguir seguir.
[Respira]
Sensível cada vez mais
- para não deixar de sangrar
para não abandonar esse sentir
[T(r)oca; abraça]
domingo, 2 de junho de 2019
Fanfic
Lilith é a primeira na narrativa, a primeira mulher, execrada do paraíso pela autoridade competente por ter questionado o homem, Adão, e por não ter se submetido sexualmente a ele, tanto pelo consenso, como pela posição dos corpos.
Daí se torna (uma) demônia, conforme a tradição judaico-cristã, e condenada a viver fora do paraíso - ou, em algumas versões, no inferno.
Algumas outras versões contam que Lilith foi a serpente que entregara a Eva o conhecimento, a possibilidade de libertação. Lilith seria uma boa amiga de Eva. Mas Eva, nascida da costela, é eivada por ser narrada como vinda dele. Apesar disso, caberia a ela se manter no que o contexto diz dela, por sua origem, ou se libertar, pelo conhecimento. Mas ela é a mulher que não crê em si e confia, cegamente, no homem - seja para ser legitimada, seja para pretender levar alguma libertação a ele.
E ele, o homem, o Adão, é o que a denuncia a autoridade, porque ele queria, sim, ser deus, mas em uma versão legitimada, e não transgressora daquele poder, que tanto o é sua imagem. Transgredi-lo, por projeção, seria transgredir-se naquilo que o beneficia e o eleva a uma forma de autoridade - sobre a mulher. Naquele momento, não lhe parecia concebível imaginar uma outra pessoa - diversa, a outra - ao seu lado, somente abaixo - ou embaixo de si. Parecia-lhe inconcebível alguém estar ao seu lado - qualquer um deles - por liberdade, por querer estar ali. E parecia, ainda, lógico - se ele se projeta em autoridade, em sanções e em mandos, como alguém, voluntariamente, teria vontade de, por liberdade, estar ali?
A autoridade, o deus narrado, que imprescinde do controle hierárquico, sabendo de sua imagem, seu inferior, uma transgressão - a única? -, consistente em obter conhecimento, decide: sua imagem medíocre e a mulher, sua subserviente, são expulsos do paraíso. Recebem uma sanção por saberem - ou pretenderem saber - demais, e se resignam na busca eterna de serem salvos por esse erro - o pecado original - pedindo clemência, martirizando-se pela culpa constituída eclesiasticamente, ajoelhando-se diariamente por piedade, misericórdia e perdão a autoridade constituída e reconhecida - por eles.
Lilith segue. Aceita seu contexto e, sobre ele, se posiciona. É expulsada, sim: expulsada do crivo da autoridade.
sexta-feira, 31 de maio de 2019
Não estamos vivendo em um contexto fácil - muito menos seguro, no que se refere à ciência do que vai acontecer.
Dessa semana, particularmente, saio devassada me me forçar intelectual, emocional e fisicamente para conseguir fechar um prazo - meu projeto de tese. Um alívio me veio quando minha orientadora falou que me admira pelo que estou fazendo. Me emocionei por ela me ver... e acho que eu deveria me ver nessa perspectiva também, ao invés de esperar que algumas pessoas próximas me vejam dessa forma.
Na verdade, uma, uma mais próxima, quem demonstrou, uma vez, a possibilidade de me cuidar na vulnerabilidade. Mas, sabe, essa disposição das pessoas não é comum... nem dessa pessoa em específico. Fica mais fácil, assim, como eu conversava com uma amiga, fechar-me novamente na minha fortaleza; afinal de contas, as pessoas nos colocam mesmo no local de fortaleza pelas imagens que criam de nós. Não é fácil, é, às vezes, muito solitário e a sorte é contar com pessoas como nós, que criam laços, se permitem nos conhecermos como somos, em nossa liberdade.
[continua]
Dessa semana, particularmente, saio devassada me me forçar intelectual, emocional e fisicamente para conseguir fechar um prazo - meu projeto de tese. Um alívio me veio quando minha orientadora falou que me admira pelo que estou fazendo. Me emocionei por ela me ver... e acho que eu deveria me ver nessa perspectiva também, ao invés de esperar que algumas pessoas próximas me vejam dessa forma.
Na verdade, uma, uma mais próxima, quem demonstrou, uma vez, a possibilidade de me cuidar na vulnerabilidade. Mas, sabe, essa disposição das pessoas não é comum... nem dessa pessoa em específico. Fica mais fácil, assim, como eu conversava com uma amiga, fechar-me novamente na minha fortaleza; afinal de contas, as pessoas nos colocam mesmo no local de fortaleza pelas imagens que criam de nós. Não é fácil, é, às vezes, muito solitário e a sorte é contar com pessoas como nós, que criam laços, se permitem nos conhecermos como somos, em nossa liberdade.
[continua]
segunda-feira, 1 de abril de 2019
foi uma sucessão de atos de sentido ambíguo: estou, mas não estou.
explanei: isso não faz bem.
foi uma sequência de bugou
a cada sentimento, a cada pensamento expressado - contra sua postura
era uma sequência de tremores, de culpa, de fechamento à abertura à minha vulnerabilidade
na minha vulnerabilidade tão choacalhada, aprendi mais uma vez a ficar forte
na fraqueza, fortaleza
te falei algumas vezes, como até uma forma de se fortalecer pelo exterior
mas você não acreditou, você duvidou, não ouviu
não ouviu meus sentidos
meus sentimentos opostos
minhas pequenas grandes coisas: umas duas ou três - bobagens, mas fulcrais
me fez uma forma, um script, uma aposta
de salvação, de utilidade... para você mesma
que não olha para si e não se vê
mas me via em sua vida como uma salvação para explicar a si mesma - em função de
não dá.
explanei: isso não faz bem.
foi uma sequência de bugou
a cada sentimento, a cada pensamento expressado - contra sua postura
era uma sequência de tremores, de culpa, de fechamento à abertura à minha vulnerabilidade
na minha vulnerabilidade tão choacalhada, aprendi mais uma vez a ficar forte
na fraqueza, fortaleza
te falei algumas vezes, como até uma forma de se fortalecer pelo exterior
mas você não acreditou, você duvidou, não ouviu
não ouviu meus sentidos
meus sentimentos opostos
minhas pequenas grandes coisas: umas duas ou três - bobagens, mas fulcrais
me fez uma forma, um script, uma aposta
de salvação, de utilidade... para você mesma
que não olha para si e não se vê
mas me via em sua vida como uma salvação para explicar a si mesma - em função de
não dá.
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