quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Dia de poesia


Enquanto meu corpo caminhava, minha alma dançava
Eu sentia suas batidas no meu peito e seus passos de todo jeito
Olhei para uma casa, um cachorrinho me fitava
Cumprimentei-o, sorrindo, enquanto a música ritmava.

Sometimes solutions aren't so simple
Sometimes good bye's the only way

Isso ainda vai durar muito tempo?




Apegamo-nos demais às diferenças...

É claro que, numa sociedade pluralista, o conflito entre as diversidades é inevitável e fértil, desde que conduzida por uma discussão sóbria e a um resultado proveitoso a todos.
A tensão é evidente e é positivo que não seja velada.

A problemática, no entanto, encerra-se no ego: um quer ter mais razão que o outro. Assim, inexiste uma dialética real; o que há são eternas teses e antíteses, acarretando estagnação e apartações.

Finda-se, por consequência, a ignorar as semelhanças, que é o que nos une, o que nos faz iguais, o que nos proporciona desenvoltura e desenvolvimento humano.

Do que adianta apontarmos a cor diferente, o olhar estranho, as vestes incomuns, as crenças contrárias ou contraditórias?

A cor é diferente porque não estamos habituados à sua imagem; o olhar, estranho, já que só conhecemos um jeito de ver; as vestes, de outra cultura, não nos é familiar; crenças que não se coadunam com nossa formação, com nossa perspectiva de vida.

São ângulos diversos de um mesmo horizonte.
O sol brilha para todos indistintamente.
O vento acaricia , da mesma forma.

Humanos com as mesmas necessidades vitais guerreando para vencer teorias, para inflar egos, para se elevar em detrimento da derrota dogmática de outrem.

É uma guerra fútil se não for embasada na união que fará a diferença quando precisarmos, realmente, guerrear para conquistarmos os bens essenciais para nossa sobrevivência.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O que dirão de nós?


http://www.malvados.com.br/

“O mundo da vida tem sofrido um processo de mercantilização único na história da humanidade”, alertou-me Joaquín Herrera Flores.

Não somos mais uma economia de mercado: somos uma sociedade de mercado, em que a oferta é maior que a procura, e sociedade no mercado: nas prateleiras, valores, regras, pessoas, convenções, sexos, afetos.

Tudo isso porque nos transformamos em objetos; coisificamo-nos. A hegemonia do neoliberalismo, a abertura de todas as barreiras aduaneiras, inclusive as morais, escancaram a sede imposta pelo lucro. Sede ensinada, pois não nos é natural. Sede enxertada pela produção, pela mídia, pela nossa própria baixa estima.

Quem não possui essência interior, luta desmedida e desesperadamente pelas vanglórias externas. E com razão, à atualidade: virtudes da alma são desvalorizadas à medida que se alastram as competições por quem aparece melhor, por quem banca mais, por quem detém mais poder (econômico, que abarca o social, o político, o jurídico) perante os outros.

E, então, guerreamos uns contra os outros. Homo homini lupus, bradaria Hobbes.

E o sentimento de inferioridade surge quando mostramos, uns poucos, pretensões axiológicas reais, profundas, essenciais. Valores esses que, no mercado, são desvalores, ou avalores – não representam algo útil à política majoritária de exclusão.

Nesse (des)compasso, não somos mais o que temos aqui dentro: somos o que consumimos aí fora. Consumimos/somos marcas, tendências, objetos... assim, habituamo-nos a permutar dinheiro por tudo.

Mas fomos além da matéria amorfa... queremos adquirir pessoas e tudo o que elas podem oferecer: amor, respeito, amizade, compreensão.... valores esses desconsiderados que, aqui, importam se produto de compra e venda - método rápido, porque os seres humanos estão ocupados demais buscando a mais valia para perderem tempo em conquistar e criar laços verdadeiros. Confundimo-nos e perdemos o nosso referencial.

Não sabemos mais quem somos, por que lutamos, por que vivemos – a vida se restringe a uma batalha de receita, despesa, briga pelo superávit e decepção pelo déficit.

Perdemo-nos.

Nosso presente jaz, portanto, nos fundos daquele mercado, como um produto levemente batido que não é aproveitável porque não atingiu as metas da perfeição – uma perfeição implantada não pelo que é útil, mas pelo que o sistema dominante dita.

Deixemos isso registrado na fatura de cartão de crédito.
http://www.fotolog.com.br/intervencaorio/25744663

Senhor, abençõe aqueles que maldizem meu nome e dê-lhes paz de espírito.
Conforte seus corações daquilo que eles creem que eu tenha feito de errado para sua existência e, se assim eu tenha feita mesmo, perdoe-me.

Pai, obrigada pela emocionada vida daqueles que me abraçam e me sustentam nos momentos de fraqueza e daqueles que são sinceros comigo, que conhecem o meu ser e estão perto de mim pelo que sou, não pelo que eu posso oferecer.

Obrigada por me deixar a salvo de pessoas corruptíveis e que produzem o mal, ao invés de enxergar a Tua essência, que é o amor.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Breaking de Habit


Visto agora, ao longe, é um ciclo que se renovou por anos.
Mesmos passos, mesmas quedas, pontos semelhantes, gosto constante.
Em cada época diversa, a razão era a única; uma razão irracional, um único motivo passional.
Mas, para quê? Por que, efetivamente?

Agora, chega.
Mais do que um corpo em questão, há uma racionalidade e uma moral que impede a queda.
Sim, queda - não no chão, mas em algo mais fundo: um inferno.

Um inferno que é quente e congelante, um frio que queima a alma e com um cheiro que entorpece o entendimento. Um odor originário de raízes que velam seus movimentos, prendendo suas mãos, seus pés, seu livre pensamento, seu amor perfeito.

Um inferno com companhia (a sua companhia), mas com uma solidão que alucina a mente e oca a cabeça. Sons de risadas, de chutes e conquistas eletrônicas, de músicas vazias, de planos neófitos e inconsistentes... emburrecedor; enfraquecedor; imitador.

Doce e infernal momento. Instigadores e infernais (a)braços. Quanto ele os odiou de longe e quanto ele chorou por eles, quando perto. Inferno!

Um inferno escuro, que cega, que enebria, que impede o próximo passo. Enrola. Inventa. Esquece por maldade. Manipula em falsidade.

Círculo de fogo; pulo a uma labareda eterna e infértil.

Não é para ele; não é o sonho dele; não é o projeto concreto de sua mente.

Ele não o merece - não por ser muito, lógico, mas por ser alienado demais.

Fuga ao paraíso foi sua solução. Dois dias sozinho, mas acompanhado: com Deus.
Dois dias suficientes para se encontrar e se firmar.
Dois dias simples, mas especiais. Quentes de aconchegantes; frios de racionais; sonoros de objetivos; claros de certeza.

"Esqueço-te", pensou. "Não precisa pedir duas vezes"
"E obrigado por me livrar".

Antes ela apagava uma situação, bloqueava um problema, mas não tirava a pessoa de lá de dentro.
E, mesmo afirmando que é melhor enfrentar do que esquecer, ela "esquecia" o fato, o ato.... encarava a situação, mas não confrontava a pessoa.

Não, disse a ela há dois dias: mostre-se a todos, não fuja. Faça a frente, como fez em muitas situações. Desenvolva mais alternativas, veja novas oportunidades. Não tema. Viva integralmente.

domingo, 7 de fevereiro de 2010


É muito singelo dizer que o machismo é a causa da sujeição das mulheres: se elas se impusessem, ignorassem comentários parvos, não perdendo tempo em remoer uma vingança, e seguissem o seu caminho, evoluindo e sendo indiferentes indivíduos dessa laia, certamente não teriam maiores problemas em conquistar seu espaço.
Mas não: perdem-se em criticar o sexo masculino, transformando-se em sexistas ao extremo e imitando os homens em muitos setores.
Homens olham mulheres e não as entendem. Mulheres olham os homens e não os compreendem. Guerreiam entre si e terminam, esgotados, em lugar nenhum.

Mulheres, homens: seres humanos. Cada qual com suas particularidades, com suas potencialidades e experiências. Precisam olhar mais para o mesmo caminho, objetivando uma meta, do que mirarem-se contra si em uma batalha ilógica.
Piadinhas grotescas e ridicularizações sobre os sexos: teatro para seres restritos que têm tempo a perder já que não sabem o que fazem com sua vida, que é uma verdadeira incógnita - visto não descobrirem nem para que lhes servem um cérebro.
Pão e circo: os seres humanos fazem de outros, que lhe são iguais, suas comidas e divertem-se às custas dos que lhe deram de comer. É a concretização do "cuspir no prato em que comeu"; ou melhor [pior]: catarrar na alimentação que lhe será servida novamente.

Quantas perdas nessas andadas em círculos, atirando contra seus iguais pedras e seus próprios corpos?
Não vislumbram um percurso evolutivo, somente a repetição símia do que outros indivíduos programados já arrotaram.