terça-feira, 30 de novembro de 2010

4ever alone


As pessoas xingam, fazem bico, irritam-se, gesticulam maldições, pisam forte, saindo em marcha, choram - tudo como crianças, como se fossem indefesas e não pudessem mudar seu ponto de vista e seu destino.
Procuram meios de atacar, de machucar aqueles que entendem como seus algozes -
mas, de fato,  seu pensamento ou seu coração é que lhes faz sofrer. 
Tudo isso porque é mais fácil culpar o outro do que a si mesmo.
Tentam criar uma ferida nos outros e querem enfiar-lhe o dedo para doer, assim como lhes doem o fato de não poderem obter o que tanto fantasiaram.
Deixam escorrer pelos dedos algo que nem imaginam.
E, nessa onda de ataque-defesa (como se a vida fosse o eu contra todos), 
preveem ataques futuros e, quando não somente se protegem desse devaneio, 
atacam ferozmente a pessoa que agiu de forma similar ao que fora imaginado 
e que daria sequência ao ataque contra si. 
Mas era um ato, somente, e não nada que configurasse um ataque.

Ouvi, esses dias, que um leão só ataca quando tem fome ou está ferido de fato.
O ser humano ataca quando está ferido hipoteticamente - o que o faz se afastar dos demais. 

Não é esse o objetivo.


domingo, 28 de novembro de 2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Heartless

Ele fica de mimimi com a ex e deixei de comprar uma puta promoção de hotel numa praia paradisíaca por causa disso - o que postergou eternamente, também, o meu pedido de namoro.
Eu, de bicicleta, atropelo uma vozinha que, na verdade, também me atropela - o que deixa meu corpo todo dolorido e ralado com o mortal que eu dei na frente do batalhão (!)
Numa loja, a atendente pergunta como meu corpo é tão lindo e meu cabelereiro me chama de gostosa.
Meu querido sobrinho que eu tanto amo está em casa - o que me impede de estudar porque ele brinca muito "alto".

Eu não sei o que pensar do dia de hoje. Vou omitir-me até entender se ele vai ser prevalentemente bom ou incessantemente mau.



ow could you be so
Cold as the winter wind when it breeze yo
Just remember that you talking to me yo
You need to watch the way you talking to me yo
I mean after all the things that we been through
I mean after all the things we got into
and yo I know some things you things that you aint told me
Ayo I did some things but thats the old me
And now you wanna pay me back
You gon' show me
so you walk round like you don't me
You got them new friends
Well I got homies
But at the end its still so lonely
 
 
 
 
Bem feito, Kanye West, bem feito, seu puto ¬¬ 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Processo



O ontem... o ontem passou, foi chuvoso, foi escuro, cheio de sombras e aterrorizador.
Mas o ontem, memorável por tempos, foi noite de crise.
Por conveniência à sobrevivência diária nesse sistema sobre o qual rimam meus caros rappers, colocamo-nos, nós, os sensíveis, máscaras e escudos para que nossos bravejos contra a violência que mutila nossa humanidade sejam abafados e para que possamos vencer mais um dia nessa autoconspiração letal.
Devo ter feito algo errado (como escollher uma máscara ou não fixar bem o escudo) porque, ontem, eu fui atingida por atos desmensurados e frutos de um contexto fictício. Em verdade, ontem minha insensibilidade frente à organização política da sociedade caiu - logo ela, que é parte principal da manutenção da minha sanidade.
Não sei se por causa de um olhar de reprovação (visto que estou cagando no celite para esse tipo de atitude), não sei se porque vi um homem chorar ao perder seu lar (por causa do contexto econômico e todas as contigências de uma empresa má administrada por outrem) e porque um outro, ao vê-lo implorar "por amor de Deus", deu-lhe os ombros, ou porque ouvi o relato de uma mulher que não pode ter filhos por causa da inércia de uma seguradora de saúda, ou ainda por conta da história de uma criança de 2 anos, molestada pelo pai com a conivência da mãe, ou por causa de insensibilidade de alguns pares frente ao clima de ontem (que, sim, só eu sentia, porque muitos não se protegem: muitos se cegam), já que têm problemas mais importantes para cuidar (como pagar o carro que trocaram ou pensar na roupa para um casamento), quem sabe porque o que é injusto é aplicado como se fosse lei entre os homens (e não é?) e  ninguém pode fazer porra nenhuma nada para isso mudar (não por enquanto).
Pode não ter sido o exterior, pode ter sido pelo interior mesmo...
Este ano está sendo pesado: viagens, estudos de toda ordem, dificuldade de concentração pelo ambiente, responsabilidades não programadas. Ando carregando pesos de toda ordem, uns altamente necessários, outros úteis, bolsas, malas, livros, pessoas, burro de carga. E sei que são com poucas ajudas com que posso contar, já que muitos não me veem quando paro para respirar, ajeitar minhas coisas e reanalisar a bússola. Talvez para me tornar mais forte. Talvez para me tornar (mais?, porra) independente. Ou mais desapegada (o que é visto por muitos como desumano). Ou mais desvinculada de tudo isso, não sei.
Vivi muito objetivamente até então, em virtude do que não parei para sentir muita coisa. E, agora, quando estou me abrindo ao meu subjetivo mais emocional, caio. E bonito: de quatro.
Ontem, lágrimas borraram toda a minha maquiagem feita para o trabalho (só para "melhorar", vê-se, assim, a má qualidade da maquiagem). Mas que um urso panda (com os olhos enegrecidos com o lambuzeiro do lápis, delineador e rímel), meus pedaços separaram-se e retornou-se à questão: para que tudo isso? por quê? tem certeza?
Como em um trabalho de meio e mecânico, senti-me, ontem, a inutilidade personificada. Do que valem todas as ações, todas as leituras, todas as batalhas, as escritas, os tempos perdidos pensando e cogitando o melhor caminho para os outros? Enquanto isso, você é extirpada de seu centro e transformado em mera peça da engrenagem que convalida os comportamentos mais mesquinhos e incongruentes que você já viu. Está ali no meio, na grande roda, girando e dando a mão àqueles que são insensíveis (por natureza) às suas condições de existência e desenvolvimento. O problema é que só eles têm o poder de mudar aquela situação.
Mas eu posso mudar todo o contexto. Só precisava saber como e procurar uma outra resposta, pois estou enjoada do famoso "faça sua parte e pronto"... cansada, mesmo, com pesos reais nos ombros e com o interior abismado e destroçado.
Resolvi olhar para fora como uma forma de exorcizar e diluir tudo isso que aconteceu ontem e tudo que acontecia, ainda, no meu espírito. Resolvi abrir-me... e recebi uma porta fechada com a placa "agora não posso". Provavelmente porque o universo novamente me dizia como deveria ser minha atitude naquele momento: parte de mim queria ficar sozinha, outra parte queria se abrir. Considerando os últimos acontecimentos, preferi abrir-me. E deu no que deu.
Mas isso foi o mínimo de ontem - apesar de que, para alguém, talvez, tenha sido o máximo e gerado consequências inimagináveis. Whatever. Foi o mínimo que coroou o ontem.
Nem um chocolate adiantou. Pensei no vinho ali guardado, mas o que eu menos quero é outra solução paliativa. Creio como errado os comportamentos que, simplesmente, desconsideram os obstáculos e fingem que nada acontece; então, não seria eu a agir dessa forma.
A calada da noite ainda ouvia meu choro quando eu não sei quem me levou. 
E acordei hoje, momento também passado, mas que me trouxe afirmação e interrogação que perduram ao presente. Afirmação e interrogação de luta e de indignação, que, potencialmente eficazes, socam-me a alma, produzem dor e mais lágrimas.
O ontem ainda não terminou. 
O ontem ainda é hoje.

miss*taken



Equivocas-te quando tu dizes "cara, nada nunca é" porque não pensas no caráter do que realmente é ser.
 Perdes-te no dinamismo da vida, do cotidiano, que é um processo no qual tudo depende de ti também.
Agora, se não for para o cotidiano ou a vida de outrem te levar em conta, 
avisa para que isso possa ser resolvido (já que és considerado):
passa-se, se quiseres, a considerar suas ações e suas omissões como indiferentes para mim.







E isso é o mínimo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

I'm a riot


Engana-se quem pensa que todos os seus conhecidos o conhecem. O rótulo de tal grupo não condiz com os seus atributos.
A pesada maioria de seus conhecidos não o conhecem - no máximo, sabem dos interesses em comum e, por isso, sedimentam-se unidos a ele.
Passando o interesse, desfazem-se os laços naturalmente e, quando isso não acontece, há desavenças irracionais entre ambos para justificar o afastamento.

No fundo, passamos tanto tempo procurando alguém que nos conheça e nos diga quem somos porque temos medo de olhar para nosso abismo - que só anda sem luz porque não colocarmos o brilho dos nossos olhos nele.
E, pelo olhar dos demais, somos influenciados pelas mais diversas opiniões. Considerando o potencial e o efetivo egoísmo humano, tais considerações nos transformam em massinhas moldadas ao alvedrio dos outros - o que pode ser interessante no início, pois somos recompensados por corresponder às suas expectativas; mas, com o tempo, sentimo-nos vazios demais por não termos a própria opinião do que somos para nós mesmos e fracos por depender sempre do olhar alheio.
O pior acontece quando elevamos os pensamentos das pessoas que amamos (?) e esses são comiserações negativas de nossa identidade. Sofremos, então, porque somos maus, porque somos inúteis, porque incomodamos ou porque não somos quem a pessoa queria que fôssemos (por incrível que pareça, o ser humano fareja inconscientemente quem não é verdadeiro consigo mesmo e se afasta).
Mas não somos maus de fato. Não somos inúteis. Não incomodamos.
Só não somos o que a pessoa queria que fôssemos.
É a preferência dela. Como livre, ela tem todo o direito de pensar o que quiser.
E, tal como ela, nós também: a nossa preferência é sermos nós mesmos.
Na maioria das vezes, as pessoas não tecem considerações negativas de nós por maldade: ou elas nos veem de forma cega, ou elas somente estão amando a si próprias ou o que acham que são e deixando de lado aquilo que pode ser discrepante de sua existência, qual seja nossas tendências ou nosso ser em si.

Não seremos condizentes em essência com quase ninguém. E isso não é ruim porque permite com que a sintonia com as raras pessoas que nos são semelhantes ou que, sendo-nos diferentes, nos amam na nossa diversidade, seja muito mais enriquecedora e intensa do que o catálogo de 1.000 amigos virtuais.

Mas o mais importante é ser fiel a si mesmo






They call me hell
They call me Stacey
They call me her
They call me Jane
That's not my name
That's not my name
That's not my name
That's not my name
They call me quiet girl
But I'm a riot