segunda-feira, 21 de abril de 2014
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Tende-se a um suicídio social: afastar-se pessoas certas e aproximar-se de pessoas incertas.
As pessoas certas são já presentes e queridas, mas conhecem demais o seu abismo monstruoso e, a qualquer momento, podem cair na escuridão do assombro de suas névoas gritantes e cortantes.
Nesse contato, parece não haver mais esperança para a beleza: tudo é feio, as armas já foram mostradas; os limites foram forçados; os defeitos, expostos; a podridão, posta ao sol. E fede. Como fede. Fede para afastar, para evitar que se joguem em tal profundeza, cuja saída pode até ser conhecida... mas nada será mais como antes.
Novas pessoas, as incertezas, são a chance da correção. A esperança de uma nova beleza - de uma tentativa de tal. Surgem como a oportunidade de fazer diferente, em que são possíveis novos limites, a abolição das armas, o tapamento do abismo. Dizem-se incertas porque são possibilidades ainda não concretizadas - talvez, por isso, nelas haja tanta esperança. É a chance de se reescrever, de ser alguém melhor, sem que coisas passadas influenciem.
Das pessoas certas, já se é conhecido. E esse é o receio... sabem onde e como te atingir, como e onde te fragilizar. Mas o pior é o contrário: é o seu ataque, o seu descontrole, a sua escuridão dominando algo que poderia ser bom - mas, por sua causa, não é.
As pessoas certas são já presentes e queridas, mas conhecem demais o seu abismo monstruoso e, a qualquer momento, podem cair na escuridão do assombro de suas névoas gritantes e cortantes.
Nesse contato, parece não haver mais esperança para a beleza: tudo é feio, as armas já foram mostradas; os limites foram forçados; os defeitos, expostos; a podridão, posta ao sol. E fede. Como fede. Fede para afastar, para evitar que se joguem em tal profundeza, cuja saída pode até ser conhecida... mas nada será mais como antes.
Novas pessoas, as incertezas, são a chance da correção. A esperança de uma nova beleza - de uma tentativa de tal. Surgem como a oportunidade de fazer diferente, em que são possíveis novos limites, a abolição das armas, o tapamento do abismo. Dizem-se incertas porque são possibilidades ainda não concretizadas - talvez, por isso, nelas haja tanta esperança. É a chance de se reescrever, de ser alguém melhor, sem que coisas passadas influenciem.
Das pessoas certas, já se é conhecido. E esse é o receio... sabem onde e como te atingir, como e onde te fragilizar. Mas o pior é o contrário: é o seu ataque, o seu descontrole, a sua escuridão dominando algo que poderia ser bom - mas, por sua causa, não é.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
...
Curiosa época em que os sentimentos tornaram-se gélidos ao se verbalizarem em compartilhamentos, em silvos e em atos de curtir.
O amor esfriou.
Felizes e possivelmente completas as pessoas que, hoje em dia, sabem o que é um olhar, um abraço, um afago, um cumprimento, o toque.
Curiosa época em que, muito além do ser e do ter, prima-se pelo parecer. Não se é feliz nem se tem convívio, mas se aparenta a socialização intensa. É-se tímido, mas se fotografa desinibido. Aparenta-se. No vazio - que só é vazio porque se desconhece o interior. E nem se busca conhecer, porque o exterior lhe urge mais.
O amor esfriou porque ele se aquece no interior, no questionamento, na ausência de barreiras externas, no conforto, no desapego consciente e na consciência de se compartilhar. Mas se com-partilhar com o outro requer mais do que aparência; requer essência.
O amor, o que goza e o que sofre - ambos no fogo- , pede essência. Aparência só concede o tédio.
O amor esfriou.
Felizes e possivelmente completas as pessoas que, hoje em dia, sabem o que é um olhar, um abraço, um afago, um cumprimento, o toque.
Curiosa época em que, muito além do ser e do ter, prima-se pelo parecer. Não se é feliz nem se tem convívio, mas se aparenta a socialização intensa. É-se tímido, mas se fotografa desinibido. Aparenta-se. No vazio - que só é vazio porque se desconhece o interior. E nem se busca conhecer, porque o exterior lhe urge mais.
O amor esfriou porque ele se aquece no interior, no questionamento, na ausência de barreiras externas, no conforto, no desapego consciente e na consciência de se compartilhar. Mas se com-partilhar com o outro requer mais do que aparência; requer essência.
O amor, o que goza e o que sofre - ambos no fogo- , pede essência. Aparência só concede o tédio.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Paz
Paz sem voz não é paz: é medo.
A minha paz reside no consenso: o entrelaçamento de ideias e de almas simplesmente me fascina. A entrega daquilo que poderia ser só meu para tornar-se teu é uma das mais valiosidades que posso oferecer.
É a aventura da essência, ameaçando o ego, que se envolve na fusão de algo maior que si mesma. Pode parecer cansativo, mas isso, para mim, deve ser constante. Não que represente o abandono completo de si, mas sim a renúncia de alguma estrutura impeditiva de alcançar algo maior e restrita somente a mim.
Algumas estruturas são dolorosamente viscosas à própria identidade - é o que é gritado pelo ego. Outras, simples de afastá-las, como uma pena. E todas representam uma perda que é vitória: a da paz com o outro.
A minha paz demanda diálogo. O aberto, o verdadeiro, o de esperança. O aberto para com o entendimento do outro; verdadeiro no que se propõe; na esperança de que a importância está na união, e não na razão inidvidual.
Vejo que muitos se fecham pelo medo, aparentam-se pelo status e não esperam mais nada além de guerra. Guerra velada contra os outros, numa batalha infindável por definições correlatas e entendimentos semelhantes e guerra contra si mesmo, na luta para alimentar o medo de se perder.
Sem diálogo, sem entendimento, sem compreensão? Sem voz. Sem voz, não é possível paz. Paz, com voz. Paz, sem medo.
A minha paz reside no consenso: o entrelaçamento de ideias e de almas simplesmente me fascina. A entrega daquilo que poderia ser só meu para tornar-se teu é uma das mais valiosidades que posso oferecer.
É a aventura da essência, ameaçando o ego, que se envolve na fusão de algo maior que si mesma. Pode parecer cansativo, mas isso, para mim, deve ser constante. Não que represente o abandono completo de si, mas sim a renúncia de alguma estrutura impeditiva de alcançar algo maior e restrita somente a mim.
Algumas estruturas são dolorosamente viscosas à própria identidade - é o que é gritado pelo ego. Outras, simples de afastá-las, como uma pena. E todas representam uma perda que é vitória: a da paz com o outro.
A minha paz demanda diálogo. O aberto, o verdadeiro, o de esperança. O aberto para com o entendimento do outro; verdadeiro no que se propõe; na esperança de que a importância está na união, e não na razão inidvidual.
Vejo que muitos se fecham pelo medo, aparentam-se pelo status e não esperam mais nada além de guerra. Guerra velada contra os outros, numa batalha infindável por definições correlatas e entendimentos semelhantes e guerra contra si mesmo, na luta para alimentar o medo de se perder.
Sem diálogo, sem entendimento, sem compreensão? Sem voz. Sem voz, não é possível paz. Paz, com voz. Paz, sem medo.
"There are times when people don't mean what they say. Behind all their hurtful words are hopes that someone will understand their cryptic pleas for help and comfort
There are times when hugs can solve everything."
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Conveniente
E ainda continuamos assim.
O que interessa é o conveniente. Tudo que o extrapola, entenda-se como toda a liberdade de expressão, é indiferente.
O conveniente é o padrão de benefícios que são oferecidos pela presença ou distância e, assim, tornam-se invisíveis todas as possibilidades e escolhas advindas da riqueza de ser a plenitude, e não de simplesmente parecer o que querem.
Por consequência, surge a tendência de enquadramento ao conveniente, a limitação da própria essência a tal conveniência. E isso é brutal: um dia, simplesmente, acorda-se e não se acha mais. Sua identificação só existe na conveniência, sua especialidade só remanesce no que for condescendente.
É em estado latente e marginal que se potencializa a vontade de existir mais, dançando, rindo, na observação, na prática. É nessa marginalidade em que se encontra a necessidade de identificação: nossa identidade sedimenta-se no outro... e em qual outro poderá se dar o potencial que, agora, é invisível?
O identificável de agora é limitado: diversão, cheiro, aconchego, suposições que carecem de esperança, interesse passivo. Mas há muito mais disso e diverso que surpreende pela necessidade de espelho: apreciação instantâneo e duradoura, conversas e tempo de qualidade, interesse ativo, esperanças iluminadas e solidárias aos desejos.
Há muito mais já invisível do que conveniente. Há muito mais já perdido do que o que se tenta, às custas da identidade, manter em salvação.
O que interessa é o conveniente. Tudo que o extrapola, entenda-se como toda a liberdade de expressão, é indiferente.
O conveniente é o padrão de benefícios que são oferecidos pela presença ou distância e, assim, tornam-se invisíveis todas as possibilidades e escolhas advindas da riqueza de ser a plenitude, e não de simplesmente parecer o que querem.
Por consequência, surge a tendência de enquadramento ao conveniente, a limitação da própria essência a tal conveniência. E isso é brutal: um dia, simplesmente, acorda-se e não se acha mais. Sua identificação só existe na conveniência, sua especialidade só remanesce no que for condescendente.
É em estado latente e marginal que se potencializa a vontade de existir mais, dançando, rindo, na observação, na prática. É nessa marginalidade em que se encontra a necessidade de identificação: nossa identidade sedimenta-se no outro... e em qual outro poderá se dar o potencial que, agora, é invisível?
O identificável de agora é limitado: diversão, cheiro, aconchego, suposições que carecem de esperança, interesse passivo. Mas há muito mais disso e diverso que surpreende pela necessidade de espelho: apreciação instantâneo e duradoura, conversas e tempo de qualidade, interesse ativo, esperanças iluminadas e solidárias aos desejos.
Há muito mais já invisível do que conveniente. Há muito mais já perdido do que o que se tenta, às custas da identidade, manter em salvação.
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