Filhos da violência.
Da violência, onde não se cabem escolhas.
Escolhas para se fazer o certo, desde o início.
Escolhas maculadas; escolhas manchadas por uma cadeia complexa de situações que nos mortificam.
Vida complexa. Não há escapatória. Não há liberdade plena.
Para quem voa solto - ou quem se pretendia assim - , esse panorama é um tiro na testa.
Resta fácil e, talvez, indicado, o caminho do entorpecimento e da superficialidade.
Não há como voltar na ilusão da busca pela liberdade, não nesse momento.
Filhos e reprodutores da violência.
Haja fortaleza para se manter a vida. Haja ignorância aos frágeis para que se mantenham vivos.
Haja coração para nos compreendermos na vida e na morte.
Violentos.
O desafio é encontrar alegria na tentativa de fazer diferente, na união (?) do caminho. Porque a vitória não é nem projetada... não se trata de nada além que ilusão.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
Quando me perco, é aqui para onde recorro, já há cerca de 10 anos.
Já fui mais assídua, já fui bem mais distante. Mas volto. Volto para mim mesma quando há um transbordamento de realidades e de sentimentos que não cabe em mim.
Olhei nos teus olhos e vi a mesma doçura que tinha visto há uns dias atrás, nem um mês.
Eu vi um oceano escuro de sentimentos, em movimento de ondas gordas, grandes.
De volta, aquele piscar lento, pelo qual eu leio paixão; mas que volta com outro assunto, em outro lugar.
Nos encontramos nesse mar, nessa profundidade e intensidades pesadas e leves. Nos perdemos nesse balanço natural de cada onda que sou eu e que é você.
A gente se perdeu demais.
Você sempre veio daquele jeito, depois da chuva, mexido, agitado, às vezes me afogando.
Eu precisava me agitar pra conseguir te achar... se não, eu me machucava.
Eu sempre vim intensa, mas devagar, em séries que quase não eram perceptíveis se não prestasse atenção na mudança. E muitas vezes você se tornou eu para conseguir me achar e em mim se encontrar.
A gente se misturou muitas vezes, e se mexeu outras, e se chocou tantas outras. Você, como mar revolto na rocha que se faz dura para resistir e para se manter ali. Eu, como mar intenso, dizendo que estava ali, pesando na areia firme e fina em que você se fazia.
Foram várias séries, intensas para menos de um mês.
Foram encontros e desencontros diversos, talvez naturais para mares; talvez fortes demais para quem se fez ou se pretende - ou se pretendia - fazer rocha.
O embate entre os mares subsistiu tempo suficiente para marcar.
Não sei das paixões desse mar, não sei das séries nem das correntes, frias ou quentes. Não sei para onde vai. Mas sei onde fico.
Já fui mais assídua, já fui bem mais distante. Mas volto. Volto para mim mesma quando há um transbordamento de realidades e de sentimentos que não cabe em mim.
Olhei nos teus olhos e vi a mesma doçura que tinha visto há uns dias atrás, nem um mês.
Eu vi um oceano escuro de sentimentos, em movimento de ondas gordas, grandes.
De volta, aquele piscar lento, pelo qual eu leio paixão; mas que volta com outro assunto, em outro lugar.
Nos encontramos nesse mar, nessa profundidade e intensidades pesadas e leves. Nos perdemos nesse balanço natural de cada onda que sou eu e que é você.
A gente se perdeu demais.
Você sempre veio daquele jeito, depois da chuva, mexido, agitado, às vezes me afogando.
Eu precisava me agitar pra conseguir te achar... se não, eu me machucava.
Eu sempre vim intensa, mas devagar, em séries que quase não eram perceptíveis se não prestasse atenção na mudança. E muitas vezes você se tornou eu para conseguir me achar e em mim se encontrar.
A gente se misturou muitas vezes, e se mexeu outras, e se chocou tantas outras. Você, como mar revolto na rocha que se faz dura para resistir e para se manter ali. Eu, como mar intenso, dizendo que estava ali, pesando na areia firme e fina em que você se fazia.
Foram várias séries, intensas para menos de um mês.
Foram encontros e desencontros diversos, talvez naturais para mares; talvez fortes demais para quem se fez ou se pretende - ou se pretendia - fazer rocha.
O embate entre os mares subsistiu tempo suficiente para marcar.
Não sei das paixões desse mar, não sei das séries nem das correntes, frias ou quentes. Não sei para onde vai. Mas sei onde fico.
quinta-feira, 21 de junho de 2018
Não tenho a pretensão de ser modelo.
Não serei nenhum arauto.
Sou a voz que ecoa longe, parece que externa, mas sensível a tudo isso.
Sou o caminho feito longe das ruas marcadas e estigmatizadas.
Nunca compreendi como verdade reinante, talvez por dislexia existencial, determinadas lógicas comportamentais da convivência, ou regramentos inexoráveis de interpretação, ou fluxos burocráticos dos setores conservadores.
Eu nasci em além de algumas margens e não consegui - quando quis - me adaptar a ao que elas formatavam. Mas consegui ler o formato e transitar pelo molde desse sistema.
Sempre, contudo, inadaptável a determinadas conveniências.
Nunca quis ter filhes.
Na heteronormatividade, nunca quis casar.
Me salvando da heternorma, minha performatividade não é para chamar atenção ou prazer alheio.
Não ambicio hierarquias, nem locais de destaque.
Não serei modelo desses padrões.
Passei, invisível, por diversos lugares; o que me foi dolorido, às vezes, por não ser vista. Mas foi aí que aprendi a me ver e aproveitar essa invisibilidade.
Não serei nenhum arauto.
Sou a voz que ecoa longe, parece que externa, mas sensível a tudo isso.
Parece que não pertenço.
Pertenço-me.
sábado, 31 de março de 2018
Não tive muito contato com meu pai, apesar de carregar dele o sobrenome que, em Joinville, abria portas as quais nunca quis atravessar.
Fui criada pela minha mãe. Mulher que eu vira forte, a qual teve um primeiro casamento de violências várias e que encontrou em meu pai uma salvação daquela dependência financeira.
Sempre ouvi dela "lute por si, estude, tenha seus bens". Ouvia ainda "tenha um marido que lhe banque e que supra todas as suas necessidades; mas deixe os seus bens intocáveis, caso ele lhe der um chute".
Nunca me prendi muito à segunda parte, apesar de, em alguns relacionamentos heteroafetivos, ter percebido que eu pressionava os caras para irem adiante em si e em suas profissões - foi mal ae.
A primeira parte do que minha mãe dizia sempre me ajudou a ir adiante, a não depender de ninguém, assim como me fortaleceu a indignação, em uma cidade com valores germânicos e de colonialidade, de que a mulher teria uma determinada função - além de ser obediente e agradável, deveria ser esposa, mãe e se restringir a um espaço (poderia ser público) de auxílio (nunca atrapalho) aos homens. Ah, questionei, questionei muito. Incomodei, também, eu sei. Algumas salvações coletivas foi quando me deparei com um pessoal que questionava as discriminações, em uma levada punk'straight edge, e quando, mesmo em grupos religiosos, encontrei a aceitação de você ser o que quiser ser e aceitar o outro como ele é. Não foram as principais, mais foram importantes.
Recebi muitas críticas da minha mãe, contudo, pois "aquele cara nunca era bom", "você não se porta como deve", "você me decepciona falando isso ou fazendo aquilo", "essas pessoas não são boas para você". Alguma coisa eu não entendia nessa lógica, mas, hoje, penso que eu sublimei muita coisa e, até mesmo, deixei de ouvir outras. Tudo bem: apesar de minha mãe não compreender (aceitar) muito do que eu falei (do que eu era!), eu me esforcei a compreendê-la e a dizer que a respeitava, sempre - mesmo ela achando que eu a estava desrespeitando (algo que sempre me doeu).
Até que saí de casa para assumir a vaga de um concurso público em Floripa. Não fui levada a sério "quando você quiser voltar, filha, volte". Eu sinceramente não entendia - afinal de contas, tinha realizado um sonho que nunca tinha sonhado direito, mas que, de um dia para o outro, se tornou realidade. Ela não estava feliz e isso me incomodava. Eu queria fazê-la feliz, queria sentir a sua aceitação ou, sei lá, seu reconhecimento, mas tudo era tão velado, quieto, truncado, que eu sentia que não a tinha em torcida, por algum motivo.
Me firmei. Ela viu que eu não retornaria. Passou a dizer que minha mudança de cidade lhe causou problemas emocionais e físicos. Aí, eu já tinha aprendido a diferenciar responsabilidade e expectativas e passei a notar algumas referências dela. Não me culpei.
Minhas tatuagens para ela passaram a ser vergonha, "motivo de choro dia e noite". Ainda não entendia, e ouvia "uma pele tão linda marcada desse jeito". Não entendia porque já era adulta e não precisava mais de controle ou aceitação - precisava de respeito e diálogo. Não entendia porque, vamos lá, aquela velha história "meu corpo, minhas regras", "isso é meu, faço o que bem entender", etc.
Não entendia a dor, o choro, o lamento por eu defender a liberdade e a autonomia das pessoas serem o que quiserem e o que são. Não entendia a discussão por eu me posicionar ferozmente contra "piadas" racistas, não entendia a discussão por eu me posicionar sobre o direito à privacidade de pessoas homoafetivas. Compreendia, até, uma pretensa justificativa religiosa, mas meu limite de compreensão era a expressão do nojo, da repulsa, do ódio. Eu não entendia.
Me impulsionei ao trabalho com mulheres. Feminismos. Quis libertar e comecei a me libertar profundamente de crenças que, sutilmente, me amordaçavam e prendiam os pés. Questionei minhas bases mais profundas: questionei minha linguagem, minhas roupas, meu cabelo, meu jeito de me expressar, meu jeito de me relacionar. Percebi o delírio nefasto de sexo por sexo e relacionamentos por sexo. Percebi, ainda nisso, a ferida física que isso pode causar nas pessoas. Me abstive de muita "obrigação" dessas crenças, as quais, conjuntamente, encontrei na categoria heteronormatividade.
Pude aí perceber como amar, de fato, a mulher que me tornei, finalmente. E pude, sem esforço, amar, em parceria, outra mulher.
Sabia do posicionamento da minha mãe. Mas eu era filha, os pais ("devem") desejam a felicidade par seus filhos. E era amor, sem violência. Ela entenderia, desde que eu fosse com calma.
- mãe, não quero me relacionar com mais nenhum homem (primeiro mês) - silêncio
- mãe, vou me relacionar com mulheres (segundo mês) - silêncio
- mãe, estou amando uma mulher (terceiro mês) - pelo amor de deus, filha!
Foi um processo de três meses até ouvir dela, dentre outras coisas, que eu não tinha um pênis para me relacionar com mulheres. Eu sei que não tenho um pênis e sei que mulheres não têm pênis e isso não é relevante. Mas ouvir isso foi crucial para eu nunca mais ligar para ela, nem ela para mim. Ela nunca se interessou, em 5 anos, por onde eu morava - então não posso dizer que ela não veio mais me visitar.
Aí eu passei a entender algumas coisas.
Eu não saí de casa para casar. Saí para trabalhar.
Todo o meu ser e minhas expressões não, necessariamente, seriam atrativas a um homem, pois não era obediente, mansa e, às vezes, também não era sexy (porque já fiz muito essa pose - poser, sim). Eu era algo que um homem não queria, aparentemente, como tatuagens, fala forte, tênis, com musculatura, que lutava artes marciais.
Lembrei das vezes em que ela dissera "a mulher deve ficar em casa, mas esse mundo faz com que ela tenha que ir trabalhar".
Juntei algumas coisas e, estava na cara: a função da mulher declarada em toda a minha vida. A questão é: eu não ouvi, eu sublimei, me exclui de lugares em que esse fosse o reforço de comportamento, respirei outros ares, tive experiências fora desse sistema. Ultrapassei limites e me vi sendo eu. Só isso - e cada vez mais.
Feriado de Páscoa, é aquela história da família, né? Tive muito isso quando minha família era fortalecida (antes do falecimento dos meus avós). Nesse sentimento, hoje, em insônia, procurei o nome dela na internet e encontrei alguns comentários como "volta ditadura", "bolsonaro 2018", "família projeto de deus, parabéns" e entendi tudo.
Hoje, todos nós estamos perdendo laços pela chamada polarização.
Estamos perdendo, em um nível mais profundo, sim.
Mas também estamos enxergando, também, e aprendendo a marcar posições: pelo que vale a pena viver, afinal de contas?
Pelo que vale a pena se posicionar e comemorar?
Nesse sentido, a única coisa que posso sugerir é, se o seu discurso foi católico ou evangélico (visto que possui uma base de referencial valorativa específica), por gentileza, seja coerente nas palavras de Jesus.
Se não, e pretender a um discurso de ódio, esteja pronto, porque nós também estamos e não temos mais medo.
Afinal de contas, quem é algo para que sua própria família deseja a morte, nada mais nos afeta.
Fui criada pela minha mãe. Mulher que eu vira forte, a qual teve um primeiro casamento de violências várias e que encontrou em meu pai uma salvação daquela dependência financeira.
Sempre ouvi dela "lute por si, estude, tenha seus bens". Ouvia ainda "tenha um marido que lhe banque e que supra todas as suas necessidades; mas deixe os seus bens intocáveis, caso ele lhe der um chute".
Nunca me prendi muito à segunda parte, apesar de, em alguns relacionamentos heteroafetivos, ter percebido que eu pressionava os caras para irem adiante em si e em suas profissões - foi mal ae.
A primeira parte do que minha mãe dizia sempre me ajudou a ir adiante, a não depender de ninguém, assim como me fortaleceu a indignação, em uma cidade com valores germânicos e de colonialidade, de que a mulher teria uma determinada função - além de ser obediente e agradável, deveria ser esposa, mãe e se restringir a um espaço (poderia ser público) de auxílio (nunca atrapalho) aos homens. Ah, questionei, questionei muito. Incomodei, também, eu sei. Algumas salvações coletivas foi quando me deparei com um pessoal que questionava as discriminações, em uma levada punk'straight edge, e quando, mesmo em grupos religiosos, encontrei a aceitação de você ser o que quiser ser e aceitar o outro como ele é. Não foram as principais, mais foram importantes.
Recebi muitas críticas da minha mãe, contudo, pois "aquele cara nunca era bom", "você não se porta como deve", "você me decepciona falando isso ou fazendo aquilo", "essas pessoas não são boas para você". Alguma coisa eu não entendia nessa lógica, mas, hoje, penso que eu sublimei muita coisa e, até mesmo, deixei de ouvir outras. Tudo bem: apesar de minha mãe não compreender (aceitar) muito do que eu falei (do que eu era!), eu me esforcei a compreendê-la e a dizer que a respeitava, sempre - mesmo ela achando que eu a estava desrespeitando (algo que sempre me doeu).
Até que saí de casa para assumir a vaga de um concurso público em Floripa. Não fui levada a sério "quando você quiser voltar, filha, volte". Eu sinceramente não entendia - afinal de contas, tinha realizado um sonho que nunca tinha sonhado direito, mas que, de um dia para o outro, se tornou realidade. Ela não estava feliz e isso me incomodava. Eu queria fazê-la feliz, queria sentir a sua aceitação ou, sei lá, seu reconhecimento, mas tudo era tão velado, quieto, truncado, que eu sentia que não a tinha em torcida, por algum motivo.
Me firmei. Ela viu que eu não retornaria. Passou a dizer que minha mudança de cidade lhe causou problemas emocionais e físicos. Aí, eu já tinha aprendido a diferenciar responsabilidade e expectativas e passei a notar algumas referências dela. Não me culpei.
Minhas tatuagens para ela passaram a ser vergonha, "motivo de choro dia e noite". Ainda não entendia, e ouvia "uma pele tão linda marcada desse jeito". Não entendia porque já era adulta e não precisava mais de controle ou aceitação - precisava de respeito e diálogo. Não entendia porque, vamos lá, aquela velha história "meu corpo, minhas regras", "isso é meu, faço o que bem entender", etc.
Não entendia a dor, o choro, o lamento por eu defender a liberdade e a autonomia das pessoas serem o que quiserem e o que são. Não entendia a discussão por eu me posicionar ferozmente contra "piadas" racistas, não entendia a discussão por eu me posicionar sobre o direito à privacidade de pessoas homoafetivas. Compreendia, até, uma pretensa justificativa religiosa, mas meu limite de compreensão era a expressão do nojo, da repulsa, do ódio. Eu não entendia.
Me impulsionei ao trabalho com mulheres. Feminismos. Quis libertar e comecei a me libertar profundamente de crenças que, sutilmente, me amordaçavam e prendiam os pés. Questionei minhas bases mais profundas: questionei minha linguagem, minhas roupas, meu cabelo, meu jeito de me expressar, meu jeito de me relacionar. Percebi o delírio nefasto de sexo por sexo e relacionamentos por sexo. Percebi, ainda nisso, a ferida física que isso pode causar nas pessoas. Me abstive de muita "obrigação" dessas crenças, as quais, conjuntamente, encontrei na categoria heteronormatividade.
Pude aí perceber como amar, de fato, a mulher que me tornei, finalmente. E pude, sem esforço, amar, em parceria, outra mulher.
Sabia do posicionamento da minha mãe. Mas eu era filha, os pais ("devem") desejam a felicidade par seus filhos. E era amor, sem violência. Ela entenderia, desde que eu fosse com calma.
- mãe, não quero me relacionar com mais nenhum homem (primeiro mês) - silêncio
- mãe, vou me relacionar com mulheres (segundo mês) - silêncio
- mãe, estou amando uma mulher (terceiro mês) - pelo amor de deus, filha!
Foi um processo de três meses até ouvir dela, dentre outras coisas, que eu não tinha um pênis para me relacionar com mulheres. Eu sei que não tenho um pênis e sei que mulheres não têm pênis e isso não é relevante. Mas ouvir isso foi crucial para eu nunca mais ligar para ela, nem ela para mim. Ela nunca se interessou, em 5 anos, por onde eu morava - então não posso dizer que ela não veio mais me visitar.
Aí eu passei a entender algumas coisas.
Eu não saí de casa para casar. Saí para trabalhar.
Todo o meu ser e minhas expressões não, necessariamente, seriam atrativas a um homem, pois não era obediente, mansa e, às vezes, também não era sexy (porque já fiz muito essa pose - poser, sim). Eu era algo que um homem não queria, aparentemente, como tatuagens, fala forte, tênis, com musculatura, que lutava artes marciais.
Lembrei das vezes em que ela dissera "a mulher deve ficar em casa, mas esse mundo faz com que ela tenha que ir trabalhar".
Juntei algumas coisas e, estava na cara: a função da mulher declarada em toda a minha vida. A questão é: eu não ouvi, eu sublimei, me exclui de lugares em que esse fosse o reforço de comportamento, respirei outros ares, tive experiências fora desse sistema. Ultrapassei limites e me vi sendo eu. Só isso - e cada vez mais.
Feriado de Páscoa, é aquela história da família, né? Tive muito isso quando minha família era fortalecida (antes do falecimento dos meus avós). Nesse sentimento, hoje, em insônia, procurei o nome dela na internet e encontrei alguns comentários como "volta ditadura", "bolsonaro 2018", "família projeto de deus, parabéns" e entendi tudo.
Hoje, todos nós estamos perdendo laços pela chamada polarização.
Estamos perdendo, em um nível mais profundo, sim.
Mas também estamos enxergando, também, e aprendendo a marcar posições: pelo que vale a pena viver, afinal de contas?
Pelo que vale a pena se posicionar e comemorar?
Nesse sentido, a única coisa que posso sugerir é, se o seu discurso foi católico ou evangélico (visto que possui uma base de referencial valorativa específica), por gentileza, seja coerente nas palavras de Jesus.
Se não, e pretender a um discurso de ódio, esteja pronto, porque nós também estamos e não temos mais medo.
Afinal de contas, quem é algo para que sua própria família deseja a morte, nada mais nos afeta.
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Partes
Presença constante: esse é a sede
A consciência das emoções e da vontade no mesmo lugar onde o físico está
Está amaranhado em redes que te fragmentam e te impedem da integridade
Estar e ser íntegro te torna ansioso e sua busca por te juntar, ao longo de onde te espalhou, te faz te perde
Perde o timing, perde o sexo, perde o toque, o olhar, o carinho
Perde o físico, perdendo-se na presença fragmentada na ilusão de amparo, de atenção, da virtude dos outros que é... pífia. Olhares esparsos, descontínuos, atentos para o novo, o grotesco, o desesperador, a identificação por aquilo de negativo que os une... não sei. O que sei é que se dispersa daquilo que é positivo e nos une.
Merecemos o inteiro. E afastamo-nos da realidade fragmentada, para a qual perdemos a presença.
Infelizmente.
A consciência das emoções e da vontade no mesmo lugar onde o físico está
Está amaranhado em redes que te fragmentam e te impedem da integridade
Estar e ser íntegro te torna ansioso e sua busca por te juntar, ao longo de onde te espalhou, te faz te perde
Perde o timing, perde o sexo, perde o toque, o olhar, o carinho
Perde o físico, perdendo-se na presença fragmentada na ilusão de amparo, de atenção, da virtude dos outros que é... pífia. Olhares esparsos, descontínuos, atentos para o novo, o grotesco, o desesperador, a identificação por aquilo de negativo que os une... não sei. O que sei é que se dispersa daquilo que é positivo e nos une.
Merecemos o inteiro. E afastamo-nos da realidade fragmentada, para a qual perdemos a presença.
Infelizmente.
Hoje é na primeira pessoa
Ela tem câncer. Me mandou um foto, sorridente, agora sem cabelo, carequinha, em razão da quimioterapia.
Me lembrou minha mãe, me lembrou minha avó.
Me lembrou a mãe que não tive que, por medo de como foi tratada a sua vida inteira, não teve abertura suficiente para partilhar companheirismo comigo. Mãe que teve câncer, mas negou. Mãe que não teve mãe, e não superou. Mãe que tentou ser mãe - e foi... do jeito dela, com limitações horrendas para mim, que precisava de mais (e, até pouco tempo, descobri que mais era de mim mesma).
O câncer lembrou minha avó, que ficou três meses no hospital, vegetando, vigiada por nós, mulheres da família, e um único homem, seu filho... o único homem, após o falecimento de seu marido, que esteve ao seu lado. Nesses momentos, homens são fracos.
Minha avó que viajava pelo Brasil aos 85 anos. Que dizia para eu aproveitar a vida, que me permitia, contrariamente à minha mãe, sair na praia. Que me fez questionar, desde criança, pelas suas próprias limitações, as escolhas das pessoas, suas crenças e seus preconceitos. Sua existência me ensinou, por ela mesma ser discriminante e discriminada, como as pessoas podem ser cruéis, mortais em suas emoções e rasteiras. Me ensinou a ser forte, a não querer ter filho, a querer ser tudo que não ela. Já na infância, me ensinou a distinção, a diferença. Enquanto adulta, me ensinou que está tudo bem e, ainda, a não seguir seu exemplo de como intrigar as pessoas e separá-las. Me ensinou muito e me levou, na sua morte, parte de mim que não necessariamente é por ela, mas pela minha própria história, que não é mais meu presente, mas um passado que só posso contar aqui, assim, por memórias pretensamente verdadeiras.
A Carmen está doente e não sei o que dizer ou fazer. Não sei se morrerá - por isso -, não sei como confortá-la, além de uma flor e dos cuidados que dou ao seu amorzinho de cão.
Elas me lembram de mim que, com dores constantes, pode ter algo parecido. E o que vem aqui do estômago, soca a garganta e me faz chorar compulsivamente é o que fazer a partir de então. É muita vida para pouco tempo; é muita vontade para muita rotina; é muito dia de sol para tanto compromisso; é muito sono para tanta pulsação. É medo. Silêncio. Silêncio que consome, e que pode matar, que mata.
Pudera me fazer Lucy, pelo menos. Ler os códigos dessa existência e deixar algo de bom para alguém que tenha um objetivo de pensar a vida enquanto amor, compreensão, liberdade e presença. Presença no agora, aqui, fisicamente, não lá longe, com outra pessoa.
Que eu esteja onde o amor for conforto e a presença for constante.
Me lembrou minha mãe, me lembrou minha avó.
Me lembrou a mãe que não tive que, por medo de como foi tratada a sua vida inteira, não teve abertura suficiente para partilhar companheirismo comigo. Mãe que teve câncer, mas negou. Mãe que não teve mãe, e não superou. Mãe que tentou ser mãe - e foi... do jeito dela, com limitações horrendas para mim, que precisava de mais (e, até pouco tempo, descobri que mais era de mim mesma).
O câncer lembrou minha avó, que ficou três meses no hospital, vegetando, vigiada por nós, mulheres da família, e um único homem, seu filho... o único homem, após o falecimento de seu marido, que esteve ao seu lado. Nesses momentos, homens são fracos.
Minha avó que viajava pelo Brasil aos 85 anos. Que dizia para eu aproveitar a vida, que me permitia, contrariamente à minha mãe, sair na praia. Que me fez questionar, desde criança, pelas suas próprias limitações, as escolhas das pessoas, suas crenças e seus preconceitos. Sua existência me ensinou, por ela mesma ser discriminante e discriminada, como as pessoas podem ser cruéis, mortais em suas emoções e rasteiras. Me ensinou a ser forte, a não querer ter filho, a querer ser tudo que não ela. Já na infância, me ensinou a distinção, a diferença. Enquanto adulta, me ensinou que está tudo bem e, ainda, a não seguir seu exemplo de como intrigar as pessoas e separá-las. Me ensinou muito e me levou, na sua morte, parte de mim que não necessariamente é por ela, mas pela minha própria história, que não é mais meu presente, mas um passado que só posso contar aqui, assim, por memórias pretensamente verdadeiras.
A Carmen está doente e não sei o que dizer ou fazer. Não sei se morrerá - por isso -, não sei como confortá-la, além de uma flor e dos cuidados que dou ao seu amorzinho de cão.
Elas me lembram de mim que, com dores constantes, pode ter algo parecido. E o que vem aqui do estômago, soca a garganta e me faz chorar compulsivamente é o que fazer a partir de então. É muita vida para pouco tempo; é muita vontade para muita rotina; é muito dia de sol para tanto compromisso; é muito sono para tanta pulsação. É medo. Silêncio. Silêncio que consome, e que pode matar, que mata.
Pudera me fazer Lucy, pelo menos. Ler os códigos dessa existência e deixar algo de bom para alguém que tenha um objetivo de pensar a vida enquanto amor, compreensão, liberdade e presença. Presença no agora, aqui, fisicamente, não lá longe, com outra pessoa.
Que eu esteja onde o amor for conforto e a presença for constante.
terça-feira, 14 de novembro de 2017
Noites em claro, a fim de me envolver
Mais histórias para nós duas, e nosso amor é livre
E vai proteger do que for, e vai me proteger de quem sou
13-14/11
Ainda não sei definir.
É uma ausência de... competição. É livre. É liberdade. Parece sincero - sinto sincero.
É forte; despertou minha Lilith.
Ou minha Lilith que te chamou.
EU clamei por ela, clamei por me mostrar, por me desvendar, por me integrar.
Ela matou a minha criança e me fez me ver em uma relação de igual para igual. Cara.
Sem o peso de padrões. Sem o peso de enquadramento, de scripts, de nada. Só admiração, vontade de conversar, de ficar junto, de brincar, de incentivar, de ver a outra evoluindo, vencendo, crescendo.
Hoje eu nasci mulher, uma mulher livre. Fui parida diante de tantas situações tortuosas, maléficas, tóxicas; mas frente a uma postura de exigência de "chega", "não quero mais migalhas".
E você veio. Modo direto. É isso mesmo. Quero. Vamos. Não acredito. Você é linda.
Transformou meu dia. Transformou minha fase - mudou a fase de aprisionamento.
Você representa a concretização da minha liberdade em Lilith, a que eu pedi antes de dormir.
Meu sangue conspirou por ela. E ela veio, me mostrando uma plenitude maior de mim.
Que isso não seja um peso para você. Que isso seja um agradecimento, sem obrigações.
Leve, assim como você; assim como nós.
Um agradecimento pelos sorrisos, pelas lágrimas de alegria, pelas expansões de consciência.
Sua existência me proporcionou tudo isso. Obrigada.
E vai proteger do que for, e vai me proteger de quem sou
13-14/11
Ainda não sei definir.
É uma ausência de... competição. É livre. É liberdade. Parece sincero - sinto sincero.
É forte; despertou minha Lilith.
Ou minha Lilith que te chamou.
EU clamei por ela, clamei por me mostrar, por me desvendar, por me integrar.
Ela matou a minha criança e me fez me ver em uma relação de igual para igual. Cara.
Sem o peso de padrões. Sem o peso de enquadramento, de scripts, de nada. Só admiração, vontade de conversar, de ficar junto, de brincar, de incentivar, de ver a outra evoluindo, vencendo, crescendo.
Hoje eu nasci mulher, uma mulher livre. Fui parida diante de tantas situações tortuosas, maléficas, tóxicas; mas frente a uma postura de exigência de "chega", "não quero mais migalhas".
E você veio. Modo direto. É isso mesmo. Quero. Vamos. Não acredito. Você é linda.
Transformou meu dia. Transformou minha fase - mudou a fase de aprisionamento.
Você representa a concretização da minha liberdade em Lilith, a que eu pedi antes de dormir.
Meu sangue conspirou por ela. E ela veio, me mostrando uma plenitude maior de mim.
Que isso não seja um peso para você. Que isso seja um agradecimento, sem obrigações.
Leve, assim como você; assim como nós.
Um agradecimento pelos sorrisos, pelas lágrimas de alegria, pelas expansões de consciência.
Sua existência me proporcionou tudo isso. Obrigada.
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