domingo, 25 de agosto de 2019

a gente está cansada
está difícil acordar
dormir virou um sacrifício
pela insônia ou pelo medo de não querer que mais coisa aconteça sem que estejamos preparadas
cansaço
esgotamento
paralisia de coisas rotineiras
não arrumamos a casa, não conseguimos cumprir o básico
não conseguimos há quase um ano viver normalmente
há mais de um ano não acordamos em paz
há mais de um ano não descansamos

hoje, uma selfie não tem mais o mesmo sentido
um sorriso fotografado é mais aparência ou fugacidade diante de um contexto que se impõe de forma tão sórdida e absurda

e sentimos a impotência de não termos o que fazer
buscamos explicações em teorias, como uma forma de minimizar essa angústia
temos a sensação de podermos fazer algo, mas não conseguimos
estamos em dores
estamos respirando mal
estamos chorando quando nos olhamos - para si e para nós

essa ferida vem sangrando
sangra e nos deixa anêmicos porque não conseguimos estancar por muito tempo
o rombo está grande, está assustador, está nos torturando

houve um plano de alteração de uma realidade ilusória tramado
que não conseguimos identificar o início nitidamente
mas só conseguimos sentir o fim: uma morte que é lenta para alguns, rápida para outros
mas uma morte da nossa subjetividade calcada em um território cheio de representações, memórias e imaginários coletivos

Nos damos conta do coletivo - ou da falta dele
na verdade, da existência dele enquanto uma ilusão
enquanto um câncer nos entranha com a monetização de tudo que críamos isentos ou ousider
nada foge, só morre

Nessa morte, resta, parece, arrancarmos determinadas raízes
fazer ou aceitar a desterritorialização - ou morrermos deste lugar que já não nos comporta mais
e promovermos uma reterritorialização - uma ressubjetivação
buscarmos novas zonas, novos espaços, novos significados
para que possamos respirar
ou descansar
ou dormir.



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