domingo, 19 de fevereiro de 2017

Marc #1

Chorei
Pela unidade, mesmo que momentânea, encontrada
Pelas força das serpentes percorrentes dos plexos
Pela energia clárida e rica envolvendo aquele movimento
Por aquele colo único, seguro e pleno.

Chorei, feliz.
Chorei, santificada.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Quando disse que não dava mais
Ele falou que entendia: "a culpa é minha"
E que ele nunca se perdoaria

Quando falei que ele não me conhecia
ele me disse que bastava aquilo que em mim via

Quando disse que ele era uma pessoa boa
Ele disse que deveria ser por ter me conhecido
Por ter estado, o tempo que fosse, na presença de uma magia
Que ele não sabia que existia, e nem imaginava que fosse digno daquilo

Quando falei de um outro alguém
ele me disse que mulher como eu não se encontra em qualquer esquina
"mulher assim, meu deus, é para toda a vida"

Sufoco

Hoje meu sufoco é saudade
Saudade daquela raiz que arranquei para conseguir me fincar em outras terras
Saudade daqueles passeios planos, vendo a chuva chegando, sentindo o cheio do mato molhando

Esse sufoco esmaga os olhos até que eles chorem
Esse sufoco te força a sair da casca de fortaleza e se encolher na fraqueza da... saudade.

Novo chão, novas pessoas, conflitos que não são os teus e, portanto, indiferentes. Com o enxerto das raízes, uma nova vida. Uma vida enxertada, mas que não esquece aquela essência forjada.

Aqui, conheço resultados e efeitos. Lá, reconheço o dever pela existência, pela sobrevivência.

Aqui, local de partilha; lá, local de plantio, chão, segurança. De cara no chão, lutando para se erguer.

Hoje, a cara é no chão, mas daquele cheiro, daquele tempo, daquelas pessoas, daquele eu que, mesmo que não soubesse, já era tão... eu.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Rose

Talvez eu não tenha dito como eu amo
Eu amo de forma simples, sem grandes mistérios
É um sentir, é um pequeno fazer, é uma dedicação de tempo
É a preocupação da manhã, é o beijo do almoço
É o boa noite da noite, é a visualização da madrugada.
Eu amo livre, sem imposição, sem obrigação
Até mesmo porque esse amor dá mais do que qualquer combinação

Talvez eu não tenha dito como eu vivo
Eu vivo livre - até onde sei
Sem esperar julgamento de ninguém
Sem julgar nenhuma pessoa também
Eu vivo inquestionavelmente questionando minhas ações, meus sentimentos, minha própria existência
Às vezes, fico em crise porque questionar suas próprias razões, constantemente, não é algo fácil
Mas, prefiro viver assim a crer que tudo é certo como eu acredito que, agora, seja
Me renovo, busco me melhorar, me inovo
Nada fica parado, exceto a essência de questionar

Talvez não tenha lhe mostrado a minha essência
A essência da liberdade e da inquietação
Que convive pacificamente com a essência da estabilidade e da rotina
É o complexo explicado por este meu caos
É a perfeita junção do que eu fui, como câncer, e do que eu sou, como aquário

Amo estar livre para conseguir amar da maneira mais intensa e mais profunda que minha essência alcançar
Amo poder contar, mesmo que na ilusão da confiança, com a estabilidade da rotina e das pessoas que estão na minha vida

Talvez eu não tenha te falado como eu vou embora, magoada
E como eu sou livre para voltar e começar uma nova caminhada
Talvez eu não tenha te explicado - ou deixado claro
Como o mundo é meu conforto e eu transito por ele com facilidade
Estando ou não perto de todos

Talvez eu não tenha explicado o quanto meu silêncio, estando ao seu lado, representa mais que um discurso de horas e juras de compromisso
Talvez eu não tenha explicado o valor da minha casa, a importância das minhas noites e o tesouro da minha comida
Talvez eu não tenha explicado o que isso vale em uma relação e o quanto isso me é dedicação
O quanto isso é compromisso, o quanto isso é "conte comigo"
Talvez eu não tenha explicado que me afasto, mas eu volto
Que eu me calo, mas eu falo
Que eu me machuco, bem fácil
E que, nessa complexidade caótica, é de quem me machuca que eu espero um colo.

Não sei não ser simples, não ser a vida tranquila, a rotina livre e em paz.

Ou, ainda, talvez, não seja nada disso o que buscavas
Talvez precisasse de mais palavras
Ou ansiavas por joguinhos e algumas emboscadas.
Talvez o amor te signifique juras diárias, conquistas ilimitadas
Sacrifícios e dedicações sem pensar em mais nada.

Não sei. Mas, o que sinto é que aparentemente não fui lida
O que eu dei era leve demais
O que eu dei era simples demais.

Talvez eu, ainda, não tivesse dito que eu estava contigo, me preocupando
Podendo ser o ombro amigo, o carinho no umbigo
Podendo ser um instrumento de incentivo.
Tentei, mas acho que não fui.

Ademais, talvez por fim, eu não tenha dito que te vi como um verdadeiro amigo
Como um homem, como um abrigo, como um parceiro para todos os motivos
Ah! E os limites eram atemporais e não-espaciais. Sempre e para sempre.

Duas coisas posso dizer, agora - porque não tenho palavras para isso
é que algo grande havia; não há mais.


domingo, 27 de dezembro de 2015

Sinestesia # e uma oração

Cheiro do quente do banho e do abraço molhado
Gosto da pele e dormência do beijo
Sensação de vazio e da dormência da vontade
Vibração das vozes e das risadas que o peito invadem
Sonolência de corpos e  firme companhia
Paciência na conversa e nos sons da singular vida
Toque de cores querido e ansiado no destoque cinzento
Sutileza do gosto, combinação única de momentos

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Carx amigx


Eu lembro de quase todas as vezes em que você não falou comigo porque sua namorada tinha ciúmes e não deixava você ter contato comigo. Eu me recordo das vezes em que você deixou de sair comigo porque aquele cara ligou para você, querendo sair em cima da hora.

Guardo na memória as ocasiões em que você me deixou no vácuo no meio de uma conversa porque sua namorada apareceu. Lembro das vezes em que eu te ouvi quando você chorava a superficialidade das relações em sua subjetividade e a ausência de conexões, que tanto nutrem nossas almas - nós sabemos, nós sentimos. Te dei minhas mãos, te dei meu ombro, partilhei contigo o tempo e o dinheiro que eu não podia. Abri meu coração para te abraçar.

Sempre que eu puder, farei isso. Serei, assim, como uma fortaleza em que você poderá se refugiar quando estiver fraco; e que você deixará quando estiver forte. Você sabe disso.

Você pode esquecer de falar comigo. Você pode esquecer do que fiz ou do que posso fazer por você. Você pode nem perceber que eu, talvez, também queira um pouco de você para guardar comigo, porque eu sei que você é genial.

Mas, quando lembrar, você sabe.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Brainstorm em dissertação

As pessoas sempre vão se aproximar de você com algum objetivo: porque elas se identificam com você de alguma forma e querem te conhecer mais, ou porque elas se distinguem de você e acabam, dessa forma, às vezes, aproximando-se para refutar suas ideias.

Particularmente, experiencio mais a primeira hipótese e, na verificação da segunda, acabo por eu mesma me afastar porque não me é interessante manter aproximação com nenhuma pessoa que que refutar ideias sem o mínimo de diálogo. Havendo diálogo, ok, vamos conversar.

Ultimamente, algumas pessoas se aproximaram de mim. Algumas vezes, não considerei, de início, questionar-me qual a razão de sua proximidade, considerando que o que eu queria estava acontecendo; os meus interesses eram atingidos - tal proximidade - e é isso que me importava. Mas nesse troca-ganha-perde dos encontros, o dinamismo é muito mais complexo do que isso.

Em algum ponto desses relações, alguém apresenta uma expectativa. E essa expectativa, como já devo ter comentado aqui ou em algum outro lugar, geralmente é baseada em uma projeção do que você acha que a pessoa é ou de como ela vai se portar. Mas, ah, a liberdade de viver é bem maior do que uma expectativa para, quiçá, preencher alguma carência afetiva.

De início, digo "geralmente" porque criamos expectativas baseadas no que as outras pessoas falam. E, vamos lá, não chego a apontar as expectativas romantizadas de "vou te amar eternamente" ou "quero viver sempre ao seu lado". Falo de esperas mais simples, como: "vamos sair neste sábado" ou  "farei um jantar para você". Quando isso não acontece, quando ocorre, sim, um perdido ou uma displicência do que fora combinado, BUM: essa pessoa não tem palavra. Ok, concordo que qualquer imprevisto pode acontecer... mas a existência de uma relação pressupõe a participação de, no mínimo, duas pessoas. Para que isso funcione, nada melhor que diálogo, transparência, atenção. Se não há isso, vamos lá: a pessoa não cumpre com sua palavra, simplesmente; ou, além de não cumprir com sua palavra, ainda acha que a outra pessoa não é digna de qualquer tipo de conversa. É algo que a moral, a mais humanista possível, sabe bem explicar.

E a liberdade de a pessoa falar, omitir-se, ser displicente com ela e com os outros? Bem, a liberdade não é algo que possa ser vista de um prisma linear, exatamente porque há o convívio com outras pessoas. Por essa liberdade, busca-se igualdade (com todas as discussões que envolvem o assunto) e busca-se o mínimo de comprometimento com aquilo que a própria pessoa se propõe a fazer. Se não é capaz de fazer ou não quer, não fale, não se comprometa falaciosamente.

Agora, as projeções criadas por aqueles que idealizam as outras pessoas. Aparentemente, tais pessoas não possuem uma abertura suficiente para se permitir conhecer a outra pessoa; muitas não querem perder tempo, criam a fantasia, se comprometem por algum determinado plano de vida que criou, sozinho, em sua mente, e coloca a outra pessoa no script - e ai se ela não andar conforme o que o monólogo indica.

Diversas discussões originam-se porque não enxergamos a outra pessoa como ela realmente é: queremos que ela se enquadre no que nossa mente produziu com as peças que conhecemos de tal pessoa. E a mente engana porque sempre está sempre nos orientando para aquilo que nos dá mais satisfação: manter-se afastado para não e envolver, criando a figura de uma pessoa ruim; ou manter-se próximo, com a figura de alguém que corresponde a todos os nossos tipos de ideiais.

Muito dizem que vivemos em um mundo em que as pessoas estão vazias. Pode-se até concordar com tal afirmação, mas de forma relativa: as pessoas estão vazias de permissão se conhecerem, de liberdade de amar, de empatia, alteridade - e, sim, serei bem clichê. Mas estão cheias de apontamentos aos outros, de julgamentos, de expectativas que suas próprias frustrações ou necessidades criaram, mas que não conseguem enxergar porque é mais fácil, sempre, culpar o outro.


O que mais ouvimos por aí é "você deve ser assim", "você deveria ter agido de tal forma", "você tem a obrigação de fazer tal coisa". O que menos ouvimos é "faça suas escolhas: mantendo-se consciente, elas te levarão para o melhor lugar par você".