terça-feira, 27 de julho de 2010

resultados e causas


Bem curiosas as pessoas que precisam ostentar o que fizeram em suas vidas para  se sentir reconhecidas pelos outros. Parece que precisam andar com suas medalhas no pescoço, seus troféus nas mãos, chaves de seu(s) carro(s) penduradas no cós da calça, para demonstrar sua importância.

Ando questionando um tanto quanto à ligação do comportamento humano e de sua qualificação como bom, mau, legal, bem sucedido, feliz, desconfiado, instável. De fato, é pelo comportamento de cada um que, querendo ou não, julgamo-nos: pelos nossos frutos, conhecemos nossas raízes.

Mas, mesmo assim, a curiosidade que impinge essas pessoas me chama atenção porque, por trás do reconhecimento que obtiveram por meio de um procedimento formal (concurso para o prêmio, parcelamento ou economia ou reserva de capital para compras, etc.), esse fato não é o comportamento humano em si: é o resultado dele.

Assim, faz-se preciso promover uma regressão às condições dos resultados: ele/ela ganhou o concurso (resultado) porque ele é esforçado e lutou para isso ou porque ele corrompeu a si e à comissão julgadora?

O resultado passa como o momento em que fora atingido; mas as condições que promoveram o seu alcance depende da disposição do indivíduo, do seu caráter, de sua personalidade.

Então, para que dar tanta importância ao que passou? Eu penso ser bem mais produtivo e útil (eita, utilitarista) em conhecer a pessoa em si. Mas não há como negar a importância relativa do resultado para chegar ao delineamento do seu caráter.

9 comentários:

  1. Grazy...as pessoas confundem seus resultados com o que são. O velho TER ao invés de SER.
    E, como tu, não entendo. Fico perplexa diante de gente que tem a necessidade de ostentar.
    Tão vazio. É confuso para mim. Fico olhando...é tãoooo vazio.

    O negócio é não compactuar. Na impossibilidade e na insegurança de ser no mundo pelo interno, as pessoas fazem caminho inverso, se apresentam no mundo pelo que tem. Isso se chama auto-estima, ou melhor, falta dela.

    Beijos Flor.

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  2. Grazi, não nos conhecemos, moramos milhares de km distante. Teus textos são singulares. Adoro. Me identifico bastante com alguns dos teus posts e esse foi mais um. Peço-lhe permissão pra postá-lo em meu blog. Se possível, é claro. Bjs

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  3. Eu que agradeço minha cara!

    =**

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  4. Concordo, não tenho como não. De todo modo, também me questiono o porque precisamos (digo nós todos que contigo concordamos e você inclusive Grazi) revelar/anunciar essa "fraqueza" humana. Porque é que isso nos choca e que nos causa esse estranhamento. Claro, se de um lado observamos essa necessidade como algo condenável, é porque estabelecemos de modo abstrato que há uma média de comportamente de quem precisa ostentar etc etc. Ou seja, estabelecemos uma dimensão condenável porque imaginamos não estar nela. E de fato, creio, não estamos. Mas (sempre o mas...), se a porra da psicologia está certa, será que não condenamos nos outros o que não engolimso em nós? (O condemamos é em tom suave) Ou seja, será que não ostentamos e penduramos também nossas medalhas, mas em outras dimensões que não as banais, como mostrar o carro ou os títulos profissionais? Será que não ostentamos o fato de não ostentarmos? É mais ou menos como pensar em alguém que venceu completamente a vaidade, se isolou do mundo e vive como um heremita...será que lá no fundo, ele não é o maior dos vaidosos...se alimentando da especulação de que as outras cabeças pensam que ele venceu a vaidade? Se não me fiz entender, aceito me explico melhor. Mas é só para se pensar...porque também fiquei pensando e pensando nisso.

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  5. Paulo, ponho em questão uma premissa tua: "estabelecemos uma dimensão condenável porque imaginamos não estar nela."

    A observação sobre alguma 'fraqueza' humana não implica, necessariamente, que o observador se isente dela. Ao contrário: essa tradição científica, advinda do paradigma cartesiano, vem sendo questionada constante e felizmente. O observador mescla, "contamina" sua conclusão com seu mundo interior.

    Que não nos isolemos dos fatos que observarmos, que condenarmos; mas que julguemos cada um a si próprio.

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  6. sniff sniff, bem agora que encontrei e Déa e a Mimi no face...

    Espero que estejas bem! sumidinha :)))

    ADORO TU *_*

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  7. Quando alguém pergunta "quem é você?", a maioria das pessoas responde citando a profissão e outras atividades que estão fazendo (cursos, viagens, etc). É difícil para muitos se auto-conhecerem, mergulhar no seu eu profundo. O que somos vai além do profissional, muito além...

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  8. É verdade, Vanesca :)
    Bem-vinda ao blog ^^
    Bjos

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